quarta-feira, 23 de agosto de 2017

BULLSHIT

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Bullshit, literalmente, significa bosta de boi mas é usada a palavra com outros sentidos, como coisa que não presta, ou a portuguesíssima merda; mas, sobretudo, refere-se a conversa rasca, enganadora, sem fundamento e coisas do mesmo tipo. Por exemplo, a conversa de Trump é bullshit — embora não preste, pelo menos serve para exemplificar o significado de bullshit.
Pois vivemos numa época de bullshit. Na semana passada, por exemplo, estivemos expostos a mais bullshit que uma pessoa há mil anos durante toda a vida. Não acha isto espantoso? Eu acho porque a afirmação que faço também é bullshit. Não tenho nenhuma prova do que afirmo, é um mero palpite, um bitaite — mais nada. E, como este, dizemos e ouvimos muitos mais diariamente. 
Estou a falar de afirmações de políticos, da conversa de comentadores ligados a partidos, clubes de futebol, empresas múltiplas, crenças religiosas, marcas comerciais e o que mais agora não me lembro mas é muito, incluindo naturalmente os publicitários vendedores da santa banha da cobra e os astrólogos.
Considerem-se as seguintes frases que são traduzidas, mas espero não alterar o sentido:

O invisível está para além da nova ausência de tempo.

À medida que te actualizas, entras em empatia infinita que transcende a compreensão.

São frases inventadas, sem qualquer sentido. Contudo, num estudo com 800 pessoas, foram consideradas profundas pela maioria. É o que se chama receptividade para a bullshit, muito comum, também chamada cabotinismo.
Quantos receptáculos de bullshit encontramos diariamente? Depende. Mas uma coisa é garantida — somos quase todos: cada um de nós, o primeiro que vê de manhã é ele próprio. É assim a vida...

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