sábado, 26 de agosto de 2017

EXCERTOS ESCOLHIDOS

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[...] Governo, Parlamento, Justiça, comunicação social, banca: Sócrates controlava os três poderes do Estado - executivo, legislativo e judicial - e estendia os seus tentáculos ao quarto poder (os media) e ao poder financeiro (os bancos).
Talvez muita gente não se tenha apercebido na época deste cenário aterrador.
Mas olhando para trás - e sabendo-se o que hoje se sabe - temos noção do perigo que o país correu: um homem sobre o qual pesam suspeitas tão graves chegou a deter um poder imenso, que se alargava a todas as áreas de influência.
Só de pensar nisto ficamos assustados - e é muito estranho que alguns dos que privavam com ele não se tenham apercebido de nada.
Foi lamentável ver pessoas de bem - como Ferro Rodrigues ou Correia de Campos - fazerem tão tristes figuras, defendendo-o encarniçadamente até ao fim.
É certo que, como bem disse José António Lima, a democracia venceu-o, afastando-o do cargo.
Mas também foi a democracia que permitiu que um homem como este chegasse a reunir um poder tão grande em Portugal.
Isso mostra a vulnerabilidade do sistema democrático.
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José António Saraiva in "Sol"
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