Quando se descobriu a natureza ondulatória da radiação
electromagnética, nomeadamente da luz, pensou-se assim: se as ondas do mar se
propagam na água e as do som no ar, as ondas electromagnéticas propagam-se ,
"evidentemente", em qualquer meio. Qual meio? não sabemos, diziam os
"sábios", mas vamos chamar-lhe "éter".
Depois verificou-se que a radiação electromagnética se
propaga no vácuo e o "éter" foi pelo cano. Terá ido? Talvez não!
Ficou, com outras funções. O médico e químico alemão Max Pettenkofer, por
exemplo, dizia que a cólera não era provocada por nenhum germe, ou micróbio,
mas sim pela "predisposição individual"—esta era o "éter"
de Pettenkofer.
Na realidade, é difícil demonstrar que certas coisas não
existem e o "éter" é o seu ícone. E resiste ao tempo. Tem quase sempre
aceitação popular e mesmo entre eruditos. E tem arrasado muita e boa gente.
A vida intelectual moderna, no Anno Domini 2014, ainda está
cheia de "éter", em matérias filosóficas, artísticas, sociológicas, religiosas,
políticas, científicas e por aí fora, para dar apenas alguns exemplos e não encher a página. Ainda
ontem falávamos do Planeta X, ou Nibiru, o malandro que há milénios bombardeia
a Terra com asteróides e que simplesmente não existe.
As pessoas inventam
"éteres" sem o ónus da prova de que eles existem, como dizem os juristas,
e deixam o ónus de provar a nulidade de tais fantasias para os outros. É assim a
natureza do Homo sapiens no seu actual estado evolutivo. E isto que afirmo não é "éter"!
.

Sem comentários:
Enviar um comentário