domingo, 9 de março de 2014

O "ÉTER" É ETERNO ?

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Quando se descobriu a natureza ondulatória da radiação electromagnética, nomeadamente da luz, pensou-se assim: se as ondas do mar se propagam na água e as do som no ar, as ondas electromagnéticas propagam-se , "evidentemente", em qualquer meio. Qual meio? não sabemos, diziam os "sábios", mas vamos chamar-lhe "éter".
Depois verificou-se que a radiação electromagnética se propaga no vácuo e o "éter" foi pelo cano. Terá ido? Talvez não! Ficou, com outras funções. O médico e químico alemão Max Pettenkofer, por exemplo, dizia que a cólera não era provocada por nenhum germe, ou micróbio, mas sim pela "predisposição individual"—esta era o "éter" de Pettenkofer.
Na realidade, é difícil demonstrar que certas coisas não existem e o "éter" é o seu  ícone. E resiste ao tempo. Tem quase sempre aceitação popular e mesmo entre eruditos. E tem arrasado muita e boa gente.
A vida intelectual moderna, no Anno Domini 2014, ainda está cheia de "éter", em matérias filosóficas, artísticas, sociológicas, religiosas, políticas, científicas e por aí fora, para dar apenas alguns exemplos e não encher a página. Ainda ontem falávamos do Planeta X, ou Nibiru, o malandro que há milénios bombardeia a Terra com asteróides e que simplesmente não existe.
As  pessoas inventam "éteres" sem o ónus da prova de que eles existem, como dizem os juristas, e deixam o ónus de provar a nulidade de tais fantasias para os outros. É assim a natureza do Homo sapiens no seu actual estado evolutivo. E isto que afirmo não é "éter"!
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