Falava ontem dos "campeões da antidiscriminação", como lhes chama João Miguel Tavares, e dizia que anda por aí uma fúria contra a limitação de doar sangue para alguns homossexuais masculinos, como se estivéssemos a falar de discriminação gratuita (que não é). Uma das campeãs da antidiscriminação—não podia deixar de ser—é, naturalmente, Fernanda Câncio, autointitulada jornalista, significando isso que a classe tem o que merece (na generalidade, acrescente-se).
Por razões de ordem higiénica, não costumo ler a prosa da Nandinha.
Mas hoje, pelo título da "peça" dada à estampa no "Diário de
Notícias", percebi que escrevia sobre a matéria, na qualidade de campeã. Fui
ver, mas a neve não caía branca e leve—era só chuva de molha-parvos. Na "peça"
referida, a menina começa por contar dois casos que os anglo-saxónicos classificariam
de anecdotal, por constituírem dados sem
qualquer significado estatístico para tirar ilações. Equivalente a dizer que todos
os jornalistas só dizem burrices porque a Nandinha só diz burrices. Tal e qual.
E depois de um arrazoado de afirmações asininas, onde refere não serem pedidos exames de controlo a cidadãos não incluídos nos grupos
de risco, avança com este arrincanço: "Sejamos claros: as decisões em
matéria de sangue devem ser científicas e não ideológicas. Não faz sentido ser
o Parlamento a ditá-las, ou transformá-las numa batalha pelos direitos dos
homossexuais, mas também não podem continuar a fundar-se na moral conservadora."
Ou seja, nem o Parlamento, nem o Instituto Português do Sangue, podem decidir
nada sobre a matéria vertente porque, ou se fundam em matéria
ideológica, ou em moral conservadora. E o Instituto Português do Sangue porque
não percebe nada do que anda a fazer—ele e os homólogos estrangeiros. A Nandinha
é que sabe, embora não explique para ficarmos todos esclarecidos. Óh égua!... Que mal fizemos nós para merecer tal sorte?
.

Sem comentários:
Enviar um comentário