[...] Há quem ache, como Manuel Alegre entre nós, que o Labour foi derrotado por não ter um discurso suficientemente à esquerda e ter cedido ao "centrismo". Mas a maioria dos analistas considera, com boas razões, que o Labour perdeu as eleições justamente porque insistiu no discurso trabalhista tradicional (mais despesa pública, mais impostos e mais défice orçamental), alienando o eleitorado centrista, que prefere a segurança e a estabilidade económica e fiscal. Não foram os conservadores que arrastaram o centro político com uma suposta "dinâmica de vitória" (que simplesmente não existia); foram os trabalhistas que o assustaram com a incerteza política e económica que resultaria da sua eventual vitória. Ora, quem aliena o centro perde as eleições.
Como é evidente, o impacto da derrota do Labour não se confina às ilhas britânicas. Engana-se quem pensar que esta história nada tem a ver com a social-democracia europeia (e ibérica...) em geral. Como diziam os clássicos, de te fabula narratur (é de ti que trata esta história*) [...]
O que se lê em cima é o que eu escreveria a propósito do mesmo tema, se a tanto me ajudasse o engenho e arte. Não escrevi, mas subscrevo tudo que ali é dito. Surpreendentemente (para mim), o autor é Vital Moreira, num artigo do "Económico", intitulado "Fábula", que vale a pena ler na íntegra. Até que enfim: começa a reinar algum senso na Parolândia.
*A tradução é minha (espero que esteja correcta)
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