quinta-feira, 7 de maio de 2015

UM BIG BROTHER PUNITIVO

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Benjamin Grant Purzycki é antroplogista, trabalha na University of British Columbia, em Vancouver, e interessa-se pela  Psicologia das Religiões—há disso! Publica hoje um artigo no AEON, intitulado (mais ou menos) "Big Brother punitivo; Perseguidor cósmico de pilha-galinhas; Senhor das terras. Porque está Deus tão interessado nos maus comportamentos?" O título, só por si, é um artigo, mas vale a pena ler o resto.
Começa por afirmar que, de todas as excentricidades humanas, a religião deve ser das mais incompreensíveis. Embora ninguém tenha produzido um miligrama de evidência da existência de Deus, as pessoas envolvem-se em repetitivas práticas, por vezes  trabalhosos comportamentos, com a convicção de que um ser etéreo, algures, vê, administra e toma conta. E, não obstante acreditar ou não, muita gente sábia tem queimado considerável número de calorias tentando deslindar o mistério que é a mente de Deus e as implicações que tem em literalmente tudo.
Pergunta-se a alguém o que sabe Deus e há toda a probabilidade de ouvir: "Tudo". Mas se a pergunta é sobre com o que se preocupa Deus, a resposta será "assassínio", "roubo", "mentira", "generosidade", "bondade" e "amor". Constata-se que, com  infinita sabedoria, as preocupações de Deus são inesperadamente limitadas: ficam-se por coisas morais.
O texto tem 3.000 palavras e não cabe num post de blog, embora mereça—pode ler o original aqui. Vou limitar-me a considerações sobre alguns aspectos mais interessantes, embora sejam todos o sejam.
A páginas tantas, Purzycki faz esta afirmação, deduzida de experimentação pessoal: Há uma regra na nossa programação mental que leva a acreditar que as mentes sem corpo, ou incorpóreas, sabem mais que as corpóreas (explica como chegou à conclusão). É extraordinário, mas acontece também com entidades diferentes, não divinas, mesmo de ficção, especialmente em crianças.
E é geral o facto de Deus saber mais sobre coisas negativas. Sabe que o Zezito rouba, mas não sabe que a Rita gosta de morangos, por exemplo. Do ponto de vista da evolução, isto é  positivo porque cria ordem na sociedade e facilita a sobrevivência. Os povos mais evoluídos têm tradição forte  de crença num Deus moralista; e quando a criminalidade é maior, cresce a religiosidade, como instinto de defesa—Deus evolui.
Naturalmente, nem todas as religiões são  moralistas como as abraâmicas. Nem todos os deuses sabem tudo, nem se preocupam com a forma como nos tratamos uns aos outros, nem castigam quem não cumpre os preceitos, nem se importam que acreditem neles ou não e por aí fora.
Por exemplo, em Tuva, na Sibéria, os deuses não são universais: cada terra—mesmo propriedade—tem um Deus privado. E tais deuses não perdem tempo com preceitos de ordem moral e não punem, como os deuses abraâmicos, por esse motivo. Mas, se falha o respeito, ou alguma oferenda, a sorte do fiel pode mudar. E o Deus daquele lugar (spirit-master), não sabe o que se passa noutros lugares—isso diz respeito ao spirit-master de lá. Contudo, embora não tenham cuidado com preceitos morais, os deuses estão vigilantes em relação ao respeito pela terra, pelos bens cultivados, pelas regras da caça, pelos recursos naturais. No fundo, tradições culturais também  intimamente ligadas à sobrevivência numa perspectiva evolucionista.
Religião, segundo Purzycki, é instinto de defesa psicológica e física. Fica a mensagem para pensar. Cada um aja em conformidade com o que concluir. "O Dolicocéfalo" é neutral.
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