sábado, 9 de maio de 2015

E AO SEXTO DIA DEUS CRIOU O HOMEM

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William Carroll é professor de Teologia em Oxford e, num contexto que não interessa agora referir, põe a seguinte questão: "Como pode falar-se do homem criado à imagem e semelhança de Deus se o homem é simples continuidade química e biológica de toda a natureza?"
Teilhard de Chardin, Jesuíta, considerava a evolução como ascensão biológica da matéria para a consciência, um movimento para formas de vida mais complexas. Do seu ponto de vista, a evolução da consciência humana era o primeiro passo para todo o cosmos atingir consciência—a consciência universal ou "Ponto Ómega".
Teilhard não era muito bem visto pela hierarquia (nem muito, nem pouco) e sofreu com isso. Mas, desde a cena de Galileu, a igreja tornou-se mais cuidadosa em matéria de ciência, embora tal tolerância diga sobretudo respeito às ciências físicas, áreas menos "perigosas". O que acontece no universo fora da Terra tem pouco impacto em questões doutrinárias. A teoria do Big-Bang, por exemplo, prova mesmo que o universo teve um princípio e até Pio XII procurou aproveitar isso. Mesmo os sucessivos estados cosmológicos sugerem o plano de um ser inteligente. Mas a evolução é diferente: a biologia é uma trapalhada. O aparecimento e  extinção de espécies, num método aparente de tentativa e erro, não abonam muito a favor desse plano. Por isso, a Igreja tem andado há séculos "embrulhada" em matéria de evolução.
Ilia Delio, Franciscana e directora de Catholic Studies na Universidade Georgetown, considera difícil a conciliação de uma alma imortal e da teoria da evolução. Aliás, eu próprio perguntei a um teólogo que me consultava quando surgiu a alma depois dos primeiros hominínios e fiquei sem resposta; ou melhor, foi-me respondido que isso não interessa nada.
Até hoje a Igreja tem fugido ao problema. Ou melhor, vai dando uma no cravo e outra na ferradura, pedindo desculpa pela irreverência da comparação. João Paulo II falou alguma coisa sobre isso, mas sem comprometimento. A posição do Vaticano continua a ser prudente—excessivamente prudente, talvez. Neste momento, muitos teólogos aguardam que o actual Papa tome posição oficial e definitiva sobre a evolução, mas como já ouvi, a Igreja tem 2.000 anos de experiência e não dá um passo sem pensar 2.000 vezes: uma por cada ano.
A quem tiver algum interesse por esta matéria—curiosa mesmo para quem não é crente—e puder fazê-lo, recomendo um artigo muito bem feito, que inspirou as considerações feitas atrás, no site AEON: aqui.
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