segunda-feira, 11 de maio de 2015

O IRRESISTÍVEL BACALHAU A PATACO

.

Manuel Carvalho escreveu ontem um artigo no "Público" que considero de rara lucidez e brilhante. Tem por título "António Costa de volta ao reino das promessas" e diz a páginas tantas o seguinte:

[...] Num tempo de incerteza e de dificuldade como o que atravessamos, os cidadãos tendem a ser conservadores, a jogar pelo seguro, a contentar-se com a expectativa de que as coisas não vão piorar. Eis senão que, contra esta percepção generalizada, António Costa veio esta semana prometer uma revisão dos escalões do IRS sem mostrar como conseguirá manter os níveis da receita, anunciou a reposição dos feriados, admitiu o regresso das 35 horas semanais na função pública e deixou até no ar numa entrevista ao DN que admite reverter um pouco provável processo de privatização da TAP, caso a companhia venha a ser dominada por um privado.
António Costa, que o grupo de economistas parecia ter recolocado no centro, voltou assim a gravitar na orla de influência da ala mais à esquerda do partido—o que, não sendo um mal em si próprio, mostra incapacidade de ler os sinais dos tempos e as percepções que os cidadãos têm em relação à política. E isso acontece porque nas iluminadas cabeças do Largo do Rato ainda ninguém foi capaz de discutir e ainda menos de entender um dos maiores paradoxos da breve história da democracia portuguesa: como pode uma coligação que cortou salários e pensões, que impôs um terrível aumento de impostos, que chega ao final da legislatura com números recordes na dívida pública, no desemprego ou no êxodo de jovens qualificados estar em condições de disputar as eleições? Depois de ter percebido que não bastava uma aura para se impor aos partidos do Governo, Costa ficou a saber que tinha de dispor de um plano inteligente para convencer os portugueses da bondade do seu programa. Teve-o no documento dos 12 economistas, apesar das legítimas dúvidas que matérias como a TSU e a sustentabilidade da Segurança Social colocam. Sair dessa rota e regressar ao admirável mundo das promessas é um erro que lhe vai custar muito caro. [...]
.

Sem comentários:

Enviar um comentário