No DN, o Dr. Soares escreve hoje sobre as eleições
britânicas, facto importante mas, ainda assim, menos que a eleição do Nóvoa,
por exemplo. O Reino Unido não presta, em última análise. Opina o senador:
Na semana passada
houve um acontecimento importante que tem que ver com o Reino Unido: a vitória
do conservador David Cameron e a derrota do trabalhista Ed Miliband.
Diga-se que o Reino
Unido não é hoje como era no tempo de Churchill, em que comandava a Europa e
foi um dos vencedores da Segunda Guerra Mundial. O mundo mudou e a Europa é
presentemente bem diferente do que foi depois da morte de Hitler.
Os Estados Unidos
passaram a ser a maior potência do mundo, e a relação entre os Estados Unidos e
o Reino Unido conta muito pouco, porque deixou de ser o que foi relativamente à
Irlanda, ao País de Gales e mesmo à Escócia, que, como se sabe, quer vir a ser
independente mais cedo do que tarde. Daí o impressionante resultado do Partido
Nacionalista Escocês. A Escócia é bem mais rica do que a Inglaterra devido às
suas riquezas naturais. [...]
E depois:
[...] Voltando a
David Cameron, que conta pouco na Europa em crise por ter uma política
isolacionista que necessariamente não vai ter a influência que no passado teve
na Europa, nos Estados Unidos e no mundo. Haja o que houver, o Reino Unido vai
ter pouco peso na Europa e no mundo. David Cameron só pode ser mais modesto.
Ora, como escreveu António Campos, tendo em conta a Escócia e os Trabalhistas,
David Cameron não tem suficientes amigos na Europa, nos Estados Unidos e no
mundo para falar de alto. E a modéstia não é o seu forte. Longe disso...
[...]
Começo por notar o facto de Cameron ter ficado
intranquilo com o que escreveu António Campos, pessoa que ele conhece muito bem—da tropa—e por quem tem grande apreço.
O Dr. Soares, como é espectável do ponto de vista biológico, está
completamente senil e nós devíamos ser tolerantes com a sua conversa. Aliás, já ninguém se
importa com ela, excepto para escarnecer. Mas o que o Dr. Soares diz
hoje tem a importância duma autópsia que, além de esclarecer a causa da morte do
fenecido, permite conhecer outras situações que a precederam—às vezes desde o nascimento—sob a forma
de anomalias morfofuncionais não detectadas in
vivo.
O Dr. Soares foi sempre assim, revela a autópsia em curso—só
que agora nota-se mais porque tem o filtro do senso comum mais roto. Além
de homem que não sabe o que é a vida, por mais que invoque os seus exílios
dourados, nunca teve de trabalhar para sobreviver e é um coxo intelectual,
só comparável aos fanáticos do futebol do Benfica, do Sporting, ou do Porto. O
Dr. Soares não defende uma causa, uma doutrina social, uma filosofia política,
ou uma ética—por mais que fale da ética republicana. O Dr. Soares defende
irracionalmente um clube, o CRS (Clube República e Socialismo), como os Иo Иame Boys defendem o Benfica.
.

Sem comentários:
Enviar um comentário