José António Saraiva publicou um livro, em Setembro de 2016 (Gradiva), com o título "Eu e os Políticos". Fala de 32 "praças" da nossa arena política e vale a pena lê-lo porque está bem escrito e revela pormenores esclarecedores sobre muita gente. Não posso alargar-me na transcrição do texto, sob pena de estar a prejudicar o autor, mas quero apenas dar um exemplo do que pode lá encontrar-se. O capítulo do incontornável Marcelo Rebelo de Sousa termina com esta "história":
[...] A terminar, conto um episódio tremendamente revelador da personalidade de Marcelo Rebelo de Sousa. Em princípios de 2015, depois de anos sem nos falarmos, ligou-me inesperadamente a propósito de um artigo que eu tinha escrito no fim-de-semana anterior. Basicamente, eu dizia que ele tinha perfil de comentador — e que ser estadista era uma coisa muitíssimo diferente, pelo que dificilmente seria um bom Presidente da República.
M.R.S.
liga-me a dizer que achou o artigo "muito interessante" e que as
minhas palavras o vão fazer reflectir sobre o assunto. Acho o telefonema tão
insólito que fico sem saber o que dizer. Marcelo a elogiar um artigo em que eu
dizia que ele não tinha características para ocupar o cargo que há muito tempo
desejava? Desligo o telefone em estado de perplexidade.
Pois
bem: imediatamente a seguir Marcelo fala para o meu colega José António Lima
(cujo gabinete é ao lado do meu) a arrasar o artigo, dizendo que não tinha pés
nem cabeça. E acrescenta: "No Verão o Zé António ainda estará a pensar no
que significou o meu telefonema." Marcelo era assim: uma criança grande.
Brilhante mas leviano. Professor catedrático com a traquinice de aluno da
escola primária.
Por estas, e por outras, perguntava há dias Luís Pedro
Nunes, no programa "Eixo do Mal", quanto tempo vai Marcelo aguentar "o
Marcelo"? — "O Marcelo" traquinas, aluno da escola primária.
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