quinta-feira, 19 de março de 2015

CUECA-COFRE

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Diz-se que se um banqueiro suíço se atira da janela do 10º andar, devemos atirar-nos atrás dele porque é seguramente um bom negócio. Suíço é homem civilizado e respeitador de normas de convivência social: não deita papeis no chão, não deixa de pagar bilhete no metro mesmo que o possa fazer impunemente, não cospe na sopa e não bate na avó. Mas, em matéria bancária, é uma lástima. Guardava o ouro que os nazis roubavam aos judeus, incluindo próteses dentárias com o vil metal, abre contas bancárias a bandidos de todo o mundo identificadas apenas por um número, é plataforma na circulação de dinheiro sujo dos offshores internacionais e rebabá.
De acordo com a Deloitte, os bancos helvéticos têm à sua guarda 2 biliões (2.000.000.000.000) de dólares de estrangeiros, a maioria  dinheiro sujo à espera de barrela.Legitimamente, os países dos bandidos protegidos pela Suíça, incluindo Portugal, encheram o saco e apertaram com eles—nomeadamente os Estados Unidos e a Comunidade Europeia. Perante a eventualidade de sofrerem sanções, abrandaram o escândalo a que chamavam sigilo bancário, mas era na realidade uma forma de ormetà mafiosa. Abriram-se ao diálogo, o mesmo que dizer, baixaram a bola.
Agora, os craques da corrupção, da fuga fiscal e da lavagem de dinheiro ficaram com os colchões para se governarem. Já não é mau. Com mais um pequeno esforço, ainda os veremos com as notas metidas na roupa interior. A Helvética Confederação estuda agora um modelo de cueca-cofre e, segundo consta, as encomendas já são muitas.
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