sexta-feira, 27 de março de 2015

O QUE AÍ VEM

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Dizia Darwin  que somos aquilo que o meio ambiente e a luta pela sobrevivência fez de nós. E Einstein ensinou que tudo é relativo—falava de fenómenos da Física mas, em boa verdade, a norma aplica-se a quase tudo, incluindo nós próprios. Tais circunstâncias condicionam a sociedade e por isso esta vive em permanente evolução. Evolução que se comporta como o corpo sobre o qual actua uma força contínua e, por isso, adquire aceleração permanente. O perfil dos preconceitos, valores e julgamentos sociais tem cada vez maior plasticidade e mutabilidade mais rápida.
Há menos de um século, ocorreram duas guerras planetárias em que o homem se comportou de forma desumana inaceitável à luz dos padrões actuais; e o racismo, o anti-semitismo, o sexismo, o colonialismo, a homofobia eram aceites, até esperados do cidadão. Se num século se assistiu ao que se viu em termos de filosofia social, é de esperar que o século seguinte, que vivemos agora, traga muito mais. Daqui a 100 anos as pessoas olharão para o nosso comportamento actual e abanarão incrédulas a cabeça.
Provavelmente o "ele" e o "ela" para distinguir sexos terão chegado ao fim e haverá apenas um único pronome para o feminino e o masculino—"elo", ou coisa parecida, extensível, naturalmente a animais e coisas, como acontece já em muitos casos no inglês.
Será mal visto, para não dizer pior, comer seres vivos, nossos irmãos na Criação, sejam animais ou plantas, com direito a respeito pela sua integridade física. A alimentação sintética perfila-se no horizonte e isso da creofagia e fitofagia constituirá prática de seres irracionais.
A privacidade será obscurantismo, vista como meio privilegiado de encobrir o crime e a hipocrisia. O pseudónimo configurará ofensa à sociedade, os segredos bancário e fiscal afronta maior ainda, e as listas "VIP" impensáveis—tudo estará escarrapachado na Internet. O uso de fato de banho na praia ou piscina será considerado tão estúpido como tomar hoje o duche matinal de fato, gravata e chapéu.
As fugas de água na rede pública e outras formas de desperdício terão a gravidade que tem hoje a hemorragia do teu irmão. E quem prime o "gatilho" do autoclismo carregado com água potável será comparado ao que dá o tiro no último elefante do planeta. Rebabá, rebabá.
Não sei qual a sua idade, leitor que me lê neste preciso momento, caso alguém ainda me leia. Mas, se o seu horizonte de vida está distante, prepare-se para dias complicados. Os que, como eu, já viveram bastante, estão livres do que o espera—já deram  contribuição generosa para o peditório.
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