domingo, 29 de março de 2015

MAPAS DO TESOURO

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Sabia que há quem coleccione garrafas que dão à costa com mensagens no interior? Tais achados não são tão raros como pensa, sendo muito mais frequentes actualmente que no tempo dos mapas das ilhas do tesouro. Hoje, os mapas do tesouro não dão à costa—brotam de gabinetes respeitáveis e "insuspeitos".
Tais garrafas vêm predominantemente de navios de cruzeiro—moda recente—e contêm mensagens escritas depois de esvaziar a garrafa, o que torna frequentemente difícil decifrar a prosa. A "chapa" habitual é: Sou fulano, estou a viajar no navio XPTO e o meu endereço de email é rebabá. Agradeço a quem encontre esta garrafa que me contacte e diga onde ela deu à costa.
A prática da busca destas garrafas tem uma ciência complicada por trás porque 90% delas vão parar a 10% das costas do planeta. Por isso só nalguns países a colheita é razoável. A costa deve estar orientada perpendicularmente ao sentido da corrente oceânica dominante no local, exigência que diminui muito o número de áreas produtivas, e mesmo aí há locais melhores que outros. Um bom sítio é como um bom pesqueiro que não deve ser revelado a ninguém.
Os objectos a "navegar" nos oceanos têm tendência para se agrupar segundo a flutuabilidade, o que se aplica às garrafas, naturalmente. Por isso há praias cheias de plásticos, outras cheias de madeiras ou restos de redes, e há as "especializadas" em garrafas. Se há garrafas vulgares numa praia, nesse local a probabilidade de encontrar um mapa do tesouro é maior.
Quanto ao tempo, a melhor altura é depois de tempestades, com ventos fortes e ondas iguais ou maiores que as que tanto preocupam o Dr. Soares e em relação às quais o XIX Governo Constitucional não faz nada—em contraste com o Presidente Obama que um dia destes passa também à categoria honrosa de grande amigo do supracitado Dr. Soares.
Como é óbvio, locais próximos de rotas de navios de cruzeiro são ideais. Nessas paragens as mensagens acusam habitualmente o efeito do conteúdo inicial do frasco, e consistem muitas vezes em etílicos desabafos amorosos. É normal.
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