sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

APORIA CHAMA-LHE SARAGOÇA DA MATA

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Saragoça da Mata é um jurista conhecido que, entre outras coisas, escreve no jornal "i". Não sou leitor assíduo dos seus textos e a ideia que tenho dele—sem fundamento consistente, confesso—é a de opinante que dá uma no cravo e outra na ferradura. Talvez o defeito seja meu—não interessa isso.
Hoje fala na trilogia "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", parida em 1789 em parto gemelar com a Revolução Francesa, e acerta quase todas no cravo. A páginas tantas escreve:

"Igualdade" também é uma daquelas utopias que apenas o politicamente correcto nos obriga a afirmar em público. Quem, em rigor, se acha igual aos demais se não for para obter um tratamento de privilégio? É que se igualdade significar ajustar a um nível inferior, "aqui d'el-Rei"!
Que fazer dos direitos adquiridos? Os tais que, obviamente, brigam com a igualdade. Também aqui se ufanaram os juristas para justificar o injustificável, criando a mais paradigmática das aporias: tratar igual o que é igual pressupõe distinguir o que é diferente... pois é! Mais uma quadratura do círculo—mas afinal quem determina o diferente? Os Julgadores? E se a igualdade lhe bate a porta, que fazer? E se forem os políticos a ser tratados igualmente? Está à vista!

Saragoça da Mata fala no que está à vista e, neste momento, há em Portugal um caso bem à vista. Não sei se é a ele que se refere, ou se a afirmação é genérica. De qualquer forma, aplica-se a todos os descerebrados que se agitam à porta dum estabelecimento prisional alentejano a soprar na trombeta a inocência mais que duvidosa dum par que foi de cana. Prisão preventiva sim, mas para os outros. Um deles, o mais descerebrado de todos, chegou mesmo a dizer que a personalidade em causa não devia ter sido presa por polícias—talvez pelo Anjo Gabriel; ou daí para cima.

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