Ontem, hoje, amanhã, provavelmente durante muito tempo, vai ser politicamente correcto e "fino" ser "Charlie". Acho o que aconteceu em Paris um horror sem justificação, sem desculpa, inaceitável. Mas uma coisa é isso; outra o estilo do jornal Charlie Hebdo.
Fazer humor com crenças religiosas é discutível, embora se aceite quando observa uma regra simples que é a de não amesquinhar ou
insultar os seus fieis; mesmo quando alguns não mereçam respeito nenhum, como
acontece com os radicais violentos de qualquer religião. Viver a publicar cartoons jocosos e insultuosos sobre
figuras duma religião, ou quaisquer outras, não é modo de vida—é psicopatia.
Por isso, acho essa coisa de sermos todos "Charlie"
abusiva. Se um jornal quer seguir a linha do Charlie Hebdo, deve poder fazê-lo impunemente, sempre e enquanto
quiser, até à consumação dos séculos, em nome da liberdade de expressão. Mas
não venham dizer-nos que somos todos "Charlie" porque muitos não
somos.
Manifestar emoção e reprovação perante a carnificina
inaceitável de ontem é indispensável, justo e correcto. Mas tal não significa
aprovação da linha editorial do jornal que, em boa verdade, é alarve. Reprovo vivamente o que aconteceu ontem, mas eu não sou "Charlie".
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