O caso do Zezito não deve ter ponta por onde se pegue, a
avaliar pelo comportamento dos seus advogados, agarrados apenas—tanto quanto se
vê, lê e ouve—a questões processuais. Era o problema das escutas feitas
irregularmente, o problema da duração da investigação, o problema da justificação
da prisão preventiva e rebabá; agora é o problema dum fax enviado ao Zezito
para a cadeia por um deles e que, além de não ter sido entregue ao detido, terá
sido violado pelos olhos indiscretos do director do estabelecimento prisional.
Não conheço método menos privado que o envio de
correspondência por fax para um chilindró, a fim de ser entregue a um preso. Impossível acreditar que contivesse matéria sigilosa, para ser lida apenas pelo destinatário. Chega a parecer intencional.
Um dos advogados acusa o director de ser violador de
correspondência. Com correspondência enviada naquelas circunstâncias o anormal é não ser
violada; isto é, exige-se que, mal o fax comece a sair da máquina, seja toda a
gente vendada até a comunicação terminar, sendo depois enviado por um
funcionário com um saco preto enfiado na cabeça e uma bengala de cego na mão
para apalpar o terreno até à cela 44.
Por favor, senhores doutores! Digam-nos o que pensam das
histórias de encantar contadas pelo vosso cliente e seu amigo de infância e
deixem de fazer de nós parvos. O público que o defende agora continuará a defendê-lo sempre, quaisquer que sejam as histórias a circular. E
quem o não defende e não acredita nas histórias de encantar que conta, não é
com violações de qualquer fax que muda de opinião—muito menos as instituições encarregadas
de o julgar.
O que Vossas Excelências fazem, na linguagem futebolística,
chama-se tentar ganhar o jogo na secretaria—versão ligeiramente diferente de
isaltinar, mas próxima.
.

Sem comentários:
Enviar um comentário