sábado, 10 de janeiro de 2015

ONDE ESTÁ A PONTA PARA PEGAR ?

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O caso do Zezito não deve ter ponta por onde se pegue, a avaliar pelo comportamento dos seus advogados, agarrados apenas—tanto quanto se vê, lê e ouve—a questões processuais. Era o problema das escutas feitas irregularmente, o problema da duração da investigação, o problema da justificação da prisão preventiva e rebabá; agora é o problema dum fax enviado ao Zezito para a cadeia por um deles e que, além de não ter sido entregue ao detido, terá sido violado pelos olhos indiscretos do director do estabelecimento prisional.
Não conheço método menos privado que o envio de correspondência por fax para um chilindró, a fim de ser entregue a um preso. Impossível acreditar que contivesse matéria sigilosa, para ser lida apenas pelo destinatário. Chega a parecer intencional.
Um dos advogados acusa o director de ser violador de correspondência. Com correspondência enviada naquelas circunstâncias o anormal é não ser violada; isto é, exige-se que, mal o fax comece a sair da máquina, seja toda a gente vendada até a comunicação terminar, sendo depois enviado por um funcionário com um saco preto enfiado na cabeça e uma bengala de cego na mão para apalpar o terreno até à cela 44.
Por favor, senhores doutores! Digam-nos o que pensam das histórias de encantar contadas pelo vosso cliente e seu amigo de infância e deixem de fazer de nós parvos. O público que o defende agora continuará a defendê-lo sempre, quaisquer que sejam as histórias a circular. E quem o não defende e não acredita nas histórias de encantar que conta, não é com violações de qualquer fax que muda de opinião—muito menos as instituições encarregadas de o julgar.
O que Vossas Excelências fazem, na linguagem futebolística, chama-se tentar ganhar o jogo na secretaria—versão ligeiramente diferente de isaltinar, mas próxima.
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