quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A UNESCO E A BAGUETTE

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Terça-Feira, a UNESCO nomeou mais 46 práticas como Herança Cultural Intocável da Humanidade. Por exemplo? Por exemplo a ópera chinesa de Pequim, o Flamenco espanhol, e... a tradição gastronómica festiva em França. Esta última – com mais algumas - considerada ridícula pelo "Washington Post". Não estou totalmente de acordo com o jornal, se considerar a justificação da comissão da UNESCO. Dizem eles:

A gastronomia francesa é prática social habitual para celebrar momentos especiais na vida das pessoas e grupos, como nascimentos, casamentos, aniversários, realizações e reuniões. A refeição festiva junta pessoas para apreciar a arte de bem comer e beber. Promove o convívio, o prazer do sabor e a relação entre as pessoas e os produtos da natureza. É importante a cuidadosa selecção dos pratos entre os constantes de número crescente de receitas; a compra de produtos, preferivelmente locais, cujo sabor combina bem; o consumo de vinho adequado aos pratos; o arranjo da mesa; e as práticas rituais durante a refeição, como o provar e cheirar os componentes do repasto.

A refeição deve respeitar a estrutura habitual, começando pelos aperitivos e terminando com digestivos, e ter pelo menos quatro pratos, nomeadamente a entrada, peixe e/ou carne com vegetais, queijo e sobremesa. Os gastrónomos possuem conhecimento profundo da tradição e cuidam da boa prática dos rituais, assim contribuindo para a sua transmissão oral e escrita, em particular às gerações mais jovens. Estas refeições juntam círculos de familiares e amigos e aumentam os laços sociais.

Até aqui quase tudo me parece bem. Mas há um pormenor importante: tal tradição, com suas motivações, rituais próprios e implicações sociais, não é exclusiva dos franceses, nem me parece que tenha surgido em França e daí difundido para o mundo. Desde que este o é, foi tendência natural do homem usar a refeição como meio de convívio privilegiado. Em França,  em Timor, em Londres, em Conímbriga e na Abissína. Porquê só a refeição francesa merece a distinção da UNESCO?
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