domingo, 23 de julho de 2017

DISTRACÇÃO/DESATENÇÃO

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Distracção pode referir-se a falta de atenção a qualquer coisa, ou a diversão. Na primeira acepção, que iremos designar por desatenção para simplificar, pode configurar um acto negativo ou não, dependendo do contexto; ou seja, negativo se é praticado em situação em que a atenção é necessária, importante, até vital, e positivo, se é recuperador da capacidade mental, ou coisa parecida. As duas condições — negativa e positiva — tendem sobrepor-se em proporções variáveis, o que, em princípio, não é absolutamente mau, nem absolutamente bom: depende do contexto.
Serve a conversa para dizer que o homem moderno — incluindo os dois sexos, naturalmente — anda mais desatento que nunca para o lado negativo. E porquê? Porque é condicionado: li hoje o trecho de prosa que segue e procurarei traduzir em baixo:

The current era is frequently characterised as the Age of Distraction, and inattention is no longer depicted as a condition that afflicts a few. Nowadays, the erosion of humanity’s capacity for attention is portrayed as an existential problem, linked with the allegedly corrosive effects of digitally driven streams of information relentlessly flowing our way.

A era actual é frequentemente caracterizada como a Idade da Distracção e a desatenção já não é mais uma situação que só afecta poucos. Hoje em dia, a erosão da capacidade humana para prestar atenção configura um problema existencial, alegadamente ligado ao efeito corrosivo de correntes de informação digital que implacavelmente se atravessam no nosso caminho 
 diz o texto em cima. 
Na realidade, temos de reconhecer que existe informação a mais; tanta, que não fica espaço para pensar. Estamos distraídos porque temos a atenção focada — sobretudo prisioneira — naquilo que alguém, que não nós, quer. É esse o problema; pensamos com a cabeça dos outros.

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