segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A FIM DE SER AFIM

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Hoje a coisa confirmou-se e, embora não tenha sido surpresa, fiquei triste—muito triste mesmo: Cândida Almeida a quem, como já disse, não confiaria a investigação do roubo duma galinha no meu quintal (se tivesse quintal), não vai ser Procuradora-Geral!
Estou triste porque, ao contrário do que pensam os responsáveis deste País, e até o povão na sua ingenuidade, não há necessidade nenhuma de investigar a corrupção lusitana, pela precisa e objectiva  razão de que não há corrupção lusitananão há, prontes. O problema deste torrão, como muito bem disse Cândida Almeida nos altos estudos de Verão do PSDtão altos que até lá vai Cândida Almeidasão os "afins",  e nisso a competente e eficiente magistrada é a maior especialista da União Europeia.
Por exemplo, um secretário de Estado—vou falar de casos abstratos, "supôramos" digamos assim,  sem ligação com a realidade, aliás matéria sempre subjectiva (estou a desviar-me e peço perdão)—um secretário de Estado, dizia eu, faz uns contratos com empresas várias, verbi gratia com construtoras, respeitantes a umas estradazecas e tais contratos vêm a revelar-se ruinosos para o erário público—chamam-lhes leoninos porque o Estado ficou como o Sporting. Aparecem logo uns tipos horríveis, para quem não há pachorra, a dizer corrupção, corrupção, é o lobo, é o lobo. Não é lobo nenhum—está na cara: é um "afim" que não merece a mais superficial investigação. É aí que entra a Dr.ª Cândida Almeida—não obstante a matéria não ter relevância, estuda, investiga, medita e arquiva. A gente já sabia que era para arquivar, mas com a chancela da Dr.ª Cândida Almeida, dorme mais tranquila.
O que eu acho, e até me admiro que ainda ninguém tenha pensado nisso, é que devia haver dois Ministérios Públicos, se é assim que se diz: um para crimes e outro para casos "afins". Então poderíamos ter duas Procuradoras-Gerais: uma da República e outra do Reino (da pouca vergonha, está bem de ver).
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