Hoje a coisa confirmou-se e, embora não tenha sido
surpresa, fiquei triste—muito triste mesmo: Cândida Almeida a quem, como já disse,
não confiaria a investigação do roubo duma galinha no meu quintal (se tivesse
quintal), não vai ser Procuradora-Geral!
Estou triste porque, ao contrário do que pensam os
responsáveis deste País, e até o povão na sua ingenuidade, não há necessidade
nenhuma de investigar a corrupção lusitana, pela precisa e objectiva razão de que não há corrupção lusitana—não
há, prontes. O problema deste torrão, como muito bem disse Cândida Almeida nos
altos estudos de Verão do PSD—tão altos que até lá vai Cândida
Almeida—são
os "afins", e nisso a competente
e eficiente magistrada é a maior especialista da União Europeia.
Por exemplo, um secretário de Estado—vou
falar de casos abstratos, "supôramos" digamos assim, sem ligação com a realidade, aliás matéria
sempre subjectiva (estou a desviar-me e peço perdão)—um secretário de Estado, dizia
eu, faz uns contratos com empresas várias, verbi gratia com construtoras,
respeitantes a umas estradazecas e tais contratos vêm a revelar-se ruinosos
para o erário público—chamam-lhes leoninos porque o Estado ficou como o Sporting.
Aparecem logo uns tipos horríveis, para quem não há pachorra, a dizer
corrupção, corrupção, é o lobo, é o lobo. Não é lobo nenhum—está
na cara: é um "afim" que não merece a mais superficial investigação.
É aí que entra a Dr.ª Cândida Almeida—não obstante a matéria não ter
relevância, estuda, investiga, medita e arquiva. A gente já sabia que era para
arquivar, mas com a chancela da Dr.ª Cândida Almeida, dorme mais tranquila.
O que eu acho, e até me admiro que ainda ninguém tenha
pensado nisso, é que devia haver dois Ministérios Públicos, se é assim que se
diz: um para crimes e outro para casos "afins". Então poderíamos ter
duas Procuradoras-Gerais: uma da República e outra do Reino (da pouca vergonha,
está bem de ver).
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