Paulo : L'austérité qui sévit dans les pays du sud de l'Europe peut-elle détruire les démocraties ?
Jorge Sampaio : Excellente question pour un ancien président de la République d'un pays du sud de l'Europe. C'est évident, je vois ce qui se passe dans d'autres pays du sud. Pendant des décennies, on parlait de l'Europe, maintenant on parle d'Europe du Nord et d'Europe du Sud, et je déteste ça, car cela signifie la fin d'une solidarité nécessaire. Mais je dois dire que l'austérité pour l'austérité, l'austérité à outrance peut nuire terriblement à la démocratie.
Pourquoi ? Parce
que la démocratie nécessite de l'espoir. Et si on ne voit pas la fin du tunnel,
l'espoir s'en va, il y a des gens prêts à croire à n'importe quoi, et c'est ainsi que les extrémismes
sont en train de fleurir.
A pérola que está ai em cima faz parte duma conversa "redonda"—como
são quase todas as suas conversas—de Jorge Sampaio, ontem, organizada
pelo jornal francês "Le Monde".
Notável a afirmação sobre "austeridade pela
austeridade", como se tal fenómeno ocorresse em algum lado do planeta. As
considerações de Sampaio têm implícita a ideia que sim; isto é, há por aí
governantes que decretam a austeridade como forma de espírito franciscano
militante ou, pior ainda, com intuitos punitivos para os cidadãos duma pátria,
seja Portugal, Espanha, Grécia ou a Abissínia.
E acrescenta que, se não se vê o fundo do túnel, a
esperança vai-se. Talvez por isso, quando Portugal lutava com gravíssimos
problemas de finanças públicas, tenha largado essa jericada histórica de que
havia mais vida para além do défice—a ideia, percebe-se agora, era a de
criar um fundo de túnel virtual. Só que o fundo era virtual e o túnel real; e
foi através dele que chegamos ao estado do Estado que temos, conduzidos por
timoneiros como Sampaio que, melhor fora se calassem a boca.
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