Vasco Graça Moura
começa hoje a sua crónica no "Diário de Notícias" assim:
Há dois anos,
escrevi nesta coluna que a Primeira República portuguesa foi um monumento de
ignomínia. As celebrações da data da sua implantação deixam-me perfeitamente
indiferente. Mas o Estado português não deixa passar a data em claro e é
possível (e também respeitável) que a maioria dos cidadãos esteja de acordo com
isso. [...]
Não posso estar
mais de acordo com Graça Moura—o mérito dos regimes mede-se pelo desempenho e a
Primeira República foi um desastre que culminou na necessidade de ir chamar Salazar,
e no que se seguiu. Salazar não pediu para ser ditador—a Primeira República
fê-lo Ditador.
Só por cegueira
ideológica e clubismo irracional de gente como Soares & Cª se defende a
cangalhada que foi aquela República. Do mesmo modo que a Monarquia se tinha
convertido numa trampa, a Primeira República foi uma trampa pior—tal e qual. E
há muito que Portugal não tem um regime decente, visto que o actual segue os
passos dos anteriores: mais do mesmo.
Infelizmente, não
conseguimos libertar-nos de clichês políticos demagógicos; do medo de chamar os
bois pelos nomes e desmistificar personagens dignas da história do rei vai nu;
do temor de dizer, preto no branco, que a maçonaria mina a Nação na defesa dos
interesses dos seus "irmãos" como sempre fez desde que foi parida; da
incapacidade de acabar com uma Justiça viciada por leis feitas à medida de
interesses de lesa-pátria e servida por gente que não tem a confiança do
cidadão; da renúncia a ouvir gente sensata que ajude cada um a pensar pela
própria cabeça. Dramático!
Por isso, vai a
Pátria navegando à deriva e o mais provável é que, se sairmos da União Europeia,
acabe nas mãos de outro Salazar; e ninguém na Europa ou fora dela se vai
incomodar com isso.
Estamos como dizia Eça sobre os ministérios de então,
igualmente incapazes: "E todavia serão estes doze ou quinze
indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante,
rico, forte, coroado de rosas, e num chouto tão triunfante!
.

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