quarta-feira, 10 de outubro de 2012

SIGAMOS NESTE 'CHOUTO' TRIUNFANTE !

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Vasco Graça Moura começa hoje a sua crónica no "Diário de Notícias" assim:

Há dois anos, escrevi nesta coluna que a Primeira República portuguesa foi um monumento de ignomínia. As celebrações da data da sua implantação deixam-me perfeitamente indiferente. Mas o Estado português não deixa passar a data em claro e é possível (e também respeitável) que a maioria dos cidadãos esteja de acordo com isso. [...]

Não posso estar mais de acordo com Graça Moura—o mérito dos regimes mede-se pelo desempenho e a Primeira República foi um desastre que culminou na necessidade de ir chamar Salazar, e no que se seguiu. Salazar não pediu para ser ditador—a Primeira República fê-lo Ditador.
Só por cegueira ideológica e clubismo irracional de gente como Soares & Cª se defende a cangalhada que foi aquela República. Do mesmo modo que a Monarquia se tinha convertido numa trampa, a Primeira República foi uma trampa pior—tal e qual. E há muito que Portugal não tem um regime decente, visto que o actual segue os passos dos anteriores: mais do mesmo.
Infelizmente, não conseguimos libertar-nos de clichês políticos demagógicos; do medo de chamar os bois pelos nomes e desmistificar personagens dignas da história do rei vai nu; do temor de dizer, preto no branco, que a maçonaria mina a Nação na defesa dos interesses dos seus "irmãos" como sempre fez desde que foi parida; da incapacidade de acabar com uma Justiça viciada por leis feitas à medida de interesses de lesa-pátria e servida por gente que não tem a confiança do cidadão; da renúncia a ouvir gente sensata que ajude cada um a pensar pela própria cabeça. Dramático!
Por isso, vai a Pátria navegando à deriva e o mais provável é que, se sairmos da União Europeia, acabe nas mãos de outro Salazar; e ninguém na Europa ou fora dela se vai incomodar com isso. 
Estamos como dizia Eça sobre os ministérios de então, igualmente incapazes: "E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto tão triunfante!
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