quinta-feira, 29 de março de 2012

CHEIRO A CHULÉ

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Em Espanha houve uma huelga general. Se os dicionários estão certos, huelga general significa greve geral. E também, segundo o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, greve é "o acordo entre trabalhadores subordinados em suspender ou alterar a prestação de trabalho, com o fim de exercer pressão e obter decisões favoráveis aos seus interesses colectivos e profissionais". Tudo correcto.
Ipso facto, huelga general não é um conjunto inqualificável de selvajarias, como apedrejar as montras de lojas de cidadãos que sofrem os mesmos martírios que os selvagens, eventualmente mais martírio; não é incendiar caixotes do lixo, que vão ser substituídos e pagos pelos cidadãos contribuintes que, suspeito, não são os selvagens; não é incendiar os dois andares de um café cuja responsabilidade nas novas leis laborais é duvidosa; não é vandalizar automóveis que podem pertencer a pobres trabalhadores muito mais esforçados e atingidos pelas novas leis laborais que os selvagens; nem é o folclore dos capacetes de mota, das máscaras contra o gás, ou das mochilas cheias de pedras para mostrar aos operadores de televisão.
E também não é oportunidade para os mentores da greve, também conhecidos por dirigentes sindicais por analogia com uma classe que existiu em tempos e ajudou os trabalhadores a civilizadamente conquistar muitos dos direitos que hoje têm, confabularem a meter 800.000 manifestantes na Avenida Diagonal de Barcelona, ou 900.000 nas ruas de Madrid, números só comparáveis aos 300.000 na Praça do Comércio de Arménio Carlos.
A Espanha, tal como Portugal, está “à rasca” porque governos socialistas assim a puseram. Puseram a Espanha e também Portugal, e depois foram embora, deixando o recado de que quem viesse atrás fechasse a porta. E quando a porta começa a dar os primeiros guinchos nos gonzos ao ser fechada, ai Jesus que vem aí a reacção! É preciso mobilizar os selvagens para animar a malta. Sim, porque o que é preciso é animar a malta, se possível troglodita quanto baste para atemorizar o cidadão atemorizável, e também para o adormecer com o cheiro do dióxido de sovaco e do podológico aroma de infantaria. Deus os abençoe.

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