segunda-feira, 19 de março de 2012

XADREZ DAS PALAVRAS

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Quantas jogadas diferentes podem ser feitas no xadrez, considerando a totalidade das possíveis situações de todos os jogos realizados, a realizar e dos que nunca serão realizados mas podiam ser? Número infinito? Parece que não! Será muito grande, mas finito. Vem isto a propósito da recursão na linguagem de que falávamos ontem.
Como em todas as áreas do saber, na linguística há correntes ou teorias; muitas vezes mais palpites do que convicções fundamentadas; mais bitaites que conversa de adultos. A respeito da recursividade, surgiu a controvérsia entre dois intelectuais: Chomsky que acha ser infinito o número de expressões possíveis construídas com um número finito de palavras, e Everett que acha a linguagem como o xadrez – muitas, muitíssimas, um número galáxico,  astronómico  de expressões, mas com limite.Quem tem razão? Não sei, mas tal como eles, que devem estar a falar de cor, também tenho opinião. Ora essa!... E acho que, se se respeitarem as regras da sintaxe da língua usada, o número de frases é limitado. Por exemplo, se usarmos apenas um único sujeito, um verbo transitivo e um complemento directo, podemos fazer a experiência. Tente-se com o sujeito “eu”, o verbo “comprar” e o complemento directo “uvas”. Está na cara que, por maior que seja a imaginação do falante, chegará depressa ao ponto de não conseguir inventar mais nada. E se, com um número pequeno de palavras tal acontece, ipso facto acontecerá também com número maior, embora leve mais tempo. Digo eu... É a aplicação do gedankenexperiment, ou experimentação mental, de que falávamos há dias a respeito da experiência de Galileu sobre a aceleração dos corpos em queda no vácuo, e da Física Teórica que é toda a Física actual.
Serve isto para dizer que os cientistas e investigadores, sendo pessoas ilustres que devemos considerar, também têm fraquezas humanas, como ser  fervoroso adepto do Sporting, por exemplo. Por vezes têm fés que mais parecem fezes!
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