quarta-feira, 22 de agosto de 2012

2 + 2 = 2 + 2

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Dois mais dois é igual a quatro (2+2=4). Significa isto que, se tivermos dois burros temos muitos mais, mas isso não interessa agora  e os juntarmos a outros dois, ficamos com quatro burros. Isto é Matemática. E se não houver burros, já não há Matemática? Há, claro! Dois porcos com vossa licença mais dois porcos somam quatro porcos. E se não há porcos? Se não há porcos, há galinhas. Aí está!
E se não há nada?  Dois mais dois ainda é igual a quatro,  ou é igual a nada? É boa a pergunta e atrapalha os mais sábios e inteligentes — isto é, a Matemática existe sem mundo, ou não?
Quem não gosta da disciplina ri-se: afinal aquilo é tudo inventado e está certo porque há uns janotas a dizer que está certo. O primeiro a andar enrascado com o problema foi Platão, vejam lá! Mas Platão foi discípulo de Sócrates e não admira que se enrascasse com os números. Ainda recentemente tivemos oportunidade de perceber que os discípulos de Sócrates se enganavam muito nas contas. Platão arranjou uma marosca: dizia ele que a Matemática é anterior ao mundo material, tem existência própria noutro lugar, e que os objectos contemplados pelos matemáticos são percepcionados pela mente, sem intervenção dos órgãos dos sentidos. Cheira ligeiramente a banha de cobra, mas respeitemos Platão porque foi discípulo do Zezito. Chama-se a isto platonismo e há craques agarrados à ideia, nomeadamente Penrose, de Oxford, o francês Alain Connes, René Thom um dos mais platónicos matemáticos actuais, Kurt Gӧdel,  blá, blá, blá. Os matemáticos descobrem entidades, não as inventam, dizem eles. Será?
Do alto do Everestt que é a minha ignorância, também tenho opinião porque  a asneira é livre e — por enquanto — não paga imposto em Portugal. Digo eu que a Matemática é uma ferramenta criada pelo homem — e pela mulher — que ajuda muito a explicar o que se passa à nossa volta e é produto de encéfalos humanos. Não é um paraíso habitado por números para onde alguns conseguem espreitar. E que o facto de dois ser um grupo de duas unidades completamente iguais, e não existirem unidades completamente iguais na realidade que é a nossa, não lhe confere a qualidade quase metafísica que os platónicos querem. Unidades absolutamente idênticas, a circunferência perfeita, ou a linha recta que caminha até ao infinito sem sofrer desvio, não existem no mundo real, já sabemos.  É como o Sporting campeão — não existe no outro mundo, nem neste: é criação do encéfalo dos lagartos. Mas aí — só aí  existe todos os anos por esta altura! ...eh, eh,eh...
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