quarta-feira, 24 de outubro de 2012

HORIZONTE DE CONFIANÇA

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Há perto de meio século, um investigador chamado Elliott Jaques fez o estudo do pessoal duma empresa fabril e constatou que a preocupação do pessoal com trabalho na linha do fabrico se concentrava na produção de cada dia, enquanto os seus chefes estavam a pensar nos resultados em períodos da ordem do semestre e o director da empresa  nos dos próximos anos. Chamou ele a tais períodos horizontes de confiança. São os períodos que cada um é capaz de gerir mentalmente no aspecto profissional.
Dir-se-á que tal resulta da própria essência do trabalho, depende do que se pede a cada um, e não tem nada de surpreendente. Mas defende-se que tem, porque o horizonte  de confiança parece condicionar o tipo de trabalho de cada um e não o contrário. Isto é, se o trabalhador está colocado num nível que exige horizonte de confiança superior ao seu, não rende e, se está num nível que exige horizonte mais baixo, sente-se insuficientemente  utilizado e frustrado.
O horizonte de confiança varia muito e há inclusivamente escalas, ou tentativas de escalas, com  níveis: 1, ou 2, ou três e por aí fora. Por exemplo o nível 5 compreende períodos de 5 a 10 anos de horizonte de confiança e corresponde a presidente (CEO) duma pequena companhia, ou vice-presidente duma grande companhia. O nível 8 é da ordem da centena de anos e o exemplo típico é Henri Ford.  Acima, e no grau mais elevado, vêm figuras como Newton, Galileu, Gandhi, ou Einstein, cujo pensamento abrange séculos.
Se fosse um convicto esquerdista, diria que tal teoria é Psicologia ao serviço do capitalismo internacional para justificar a exploração do homem pelo homem, dos pretos pelos brancos, blá, blá, blá. Mas não sou e, mesmo assim,  parece-me a ideia um nadinha tosca quando analisada com detalhe. Provavelmente, aplica-se em alguns casos, eventualmente a minoria. Os condicionalismos sociais terão muito mais a ver com a oportunidade de acesso a determinadas posições que os horizontes de confiança. Não deixa de ser interessante contudo, a perspectiva de Elliott Jaques. Mesmo com algum interesse na gestão de recursos humanos como um dos critérios de selecção.
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NotaA animação em cima está curiosa e foi feita com base no capítulo "Time Span of Discretion", do livro "This Will Make You Smarter - New Scientific Concepts to Improve Your Thinking", mas não traduz com rigor o que ali se diz e eu reproduzo no texto em português.
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