segunda-feira, 29 de outubro de 2012

TARTARUGAS ATÉ AO FUNDO

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Uma das mais antigas preocupações do homem é a de saber como é o universo feito, como funciona, e qual a sua evolução futura. É complicado e, por isso, teorias bizarras—concebidas desde a antiguidade—ficaram registadas nos livros. Com o avanço do conhecimento científico, muitas delas não resistiram e são hoje consideradas como  manifestações de extrema ingenuidade, tratadas como coisas ridículas, mesmo sinais de pouco senso.
Tempos houve em que se dizia ser a Terra plana e assentar no dorso duma tartaruga, por sua vez repousando numa infinita cadeia de outras tartarugas que não careciam de nenhum suporte, pois se estendiam até "ao fundo". É caricato, não é? É verdade—completamente caricato porque não há notícia de alguém ter caído do bordo da Terra plana, a menos que seja o que aconteceu aos que se diz terem desaparecido no Triângulo das Bermudas.
Mas, pensando bem, também nunca ninguém viu uma corda a vibrar—não dessas dos instrumentos de música, mas das que se admite formarem as partículas subatómicas—e as mais ilustres personagens da Física actual falam delas com ar sério. Quantos anos serão necessários para os habitantes deste planeta se rirem da Teoria das Cordas e a compararem com a das tartarugas? Dada a evolução rápida da investigação científica actual, é possível que não sejam precisos muitos.
Na minha área profissional, no curto espaço duma carreira, tive oportunidade de comprovar o  fenómeno da queda em desuso de métodos vários e da arrumação na prateleira de teorias respeitáveis até então—na especialidade que pratiquei e na Medicina em geral. Não estão muito longe os dias em que se faziam injecções intramusculares de leite de vaca para tratar dermatoses, ou em que o tratamento das úlceras péptica era cirúrgico em grande número de casos.
Tudo muda, desde as teorias até ao próprio mundo. Por isso, o melhor é não nos tomarmos muito a sério e menos ainda à nossa inteligência e ciência. Às vezes até resolvemos problemas de que somos nós próprios a causa, ao contrário do que dizia Einstein. Aliás, Einstein também se enganava—não era como Cavaco de Boliqueime.

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