sexta-feira, 21 de março de 2014

DE MORTUIS NIHIL NISI BONUM

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Martha Gill é uma jornalista especializada em Neurociência e escreve hoje um artigo no “Daily Telegraph"a respeito da morte de Tony Bennsobre as razões porque é norma não dizer mal dos mortos, particularmente dos falecidos de fresca data. A prosa é longa e não diz muito, tendo retido duas ideias.
A primeira é a de que a morte é habitualmente acompanhada de eventos sociais com formas várias, religiosas ou não, em circunstâncias em que não é bem visto emitir opiniões desagradáveis. Por exemplo, num casamento ninguém diz: "nunca gostei da noiva, e ainda menos do noivo, e não vou mudar agora de opinião só porque estão casados; mas ergo a minha taça para fazer um brinde―cheers!" Ou num baptizado: "o bebé é giro, mas o que estamos a esquecer, no meio deste entusiasmo, é que é exactamente igual aos outros bebés; um bebé padrão―outra perspectiva, por favor".
Mas Martha Gill acaba por admitir o que parece correcto e é a de o maldizer pós-morte ser um acto de cobardia de quem não teve coragem de o fazer durante a vida do finado, especialmente se este tinha poder.
Mas a parte melhor do artigo reside nos comentários, que são muitos e vale a pena ler. Por exemplo que, se estamos em campanha para o falecido ser bem recebido no outro mundo, não se deve dizer ou fazer nada para condicionar negativamente o seu julgamento. Ou que, se não existir um médium, é melhor ficar calado até chegar a oportunidade de lhe dizer as coisas face a face. Ou ainda que, se não se leva o finado pacificamente ao túmulo, ele pode voltar para trás e não nos vemos livres dele.
É uma bela peça de humor britânico onde, por cada Conselheiro Acácio, há cinco ou dez janotas com piada.
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