segunda-feira, 24 de março de 2014

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Conta Robert Twigger, escritor e investigador britânico, que quando viajava com beduínos no deserto do Egipto, tiveram um furo. Depois de consertarem o pneu, usaram um tubo e encheram-no com parte do ar das outras três rodas. A ideia foi do cozinheiro, provavelmente habituado a preparar comida para mais gente do que a esperada, diz ele. Segundo os beduínos, refere ainda, andar com muita ferramenta é sinal de fraqueza; faz o homem preguiçoso.
Vem isto a propósito da divisão do trabalho e da especialização. Leonardo da Vinci orgulhava-se tanto de ser capaz de trabalhar o ferro manualmente, como de ter pintado a Mona Lisa. Adam Smith escreveu sobre Economia, Filosofia, Astronomia, Literatura e Direito. Percy Spenser, especialista em radar, ao verificar que radiações de micro-ondas derretiam o chocolate que tinha no bolso, inventou o forno de micro-ondas. Hiram Maxim, rebabá...
A divisão do trabalho e a especialização aumentaram a inteligência e a eficiência colectiva, permitiram fabricar com muito menos horas de trabalho e, teoricamente,  deixaram tempo livre adicional ao homem moderno. Segundo alguns foram invenção do capitalismo, o que afirmam para as depreciar. Mas o monumento de Stonehenge, de que ontem falava, consumiu 30 milhões de horas de trabalho para ser erigido. Hoje fazia-se em menos de uma semana.
Naturalmente, a especialização afunila a criatividade. Muitas invenções devem-se a gente que trabalhava em campos longínquos dessas invenções. Francis Crick, que deslindou a estrutura do ADN, era físico e dizia que isso lhe deu a confiança necessária para tentar resolver um problema que os biólogos achavam impossível.
Mostra a experiência que, quanto maior é a especialização, menor é a criatividade e a capacidade de "passar ao lado" do que se aprendeu—parece-nos tal muito provável.

Sendo assim, em que ficamos? Ficamos assim! Haverá sempre especialistas profundos, capazes de assegurar rotinas com indiscutível eficiência, e especialistas polimáticos, verdadeiros criadore e inventores. É da natureza humana sermos todos diferentes e assim nos temos governado bastante bem.
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