sexta-feira, 28 de março de 2014

PLANETA DAS BACTÉRIAS

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Stewart Brand é autor do livro "Whole Earth Discipline" e escreve num livro da "Edge Foundation"—citando a The New Science of Metagenomics —que os micróbios governam o mundo. Pode parecer uma boutade mais própria de Oscar Wilde, mas não é tal. Real, real!
Os micróbios constituem 80% de toda a biomassa. Num quinto duma colher de chá de água do mar, há 1 milhão de bactérias e 10 milhões de vírus. Craig Venter, especialista em Genómica que "desembrulhou" o genoma humano, disse algures que, se não gostamos de bactérias, estamos no planeta errado—na realidade, vivemos no planeta das bactérias (não dos macacos).
Quando James Lovelock investigava donde vieram os gases da nossa atmosfera,  um artefacto da vida, o microbiologista Lynn Margulis tinha a resposta: os micróbios governam a atmosfera. Não só a atmosfera, acrescente-se—no caso particular do nosso corpo, são eles que mandam. Os micróbios a bordo regulam a nossa imunidade e grande parte da digestão.
O microbioma humano—na pele, na boca, no intestino e um pouco por toda a parte—contém 3 milhares de formas de bactérias, com 3 milhões de genes distintos. Para ter ideia do que isto representa, diga-se que as nossas células têm 18 mil genes. Mas enquanto os macróbios os passam verticalmente, de geração em geração, do que resulta apenas evolução transgeracional, as bactérias podem passá-los horizontalmente e, por isso, evoluem na mesma geração; muito mais rapidamente—no fundo, quase uma coisa como a evolução de Lamarcke, com transmissão de características adquiridas. Postos perante isto, e em aparte, é caso para perguntar porquê tanto espalhafato com os alimentos geneticamente modificados. Vivemos invadidos por seres que passam  genes horizontalmente entre eles e, teoricamente, podem fazê-lo connosco, como se receia que os alimentos transgénicos façam.
No século da biotecnologia, ou da engenharia genética, é provável que a inspiração nos chegue a partir dos micróbios. Confrontados com uma dificuldade, vai chegar-se à situação de perguntar: O que é que uma bactéria faria?!
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