sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

A RODA DO HAMSTER

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A AEON Magazine inclui uma secção onde são postas questões inesperadas por personalidades do mundo académico. Num dos últimos números, encontra-se a seguinte pergunta, feita por Jessica Hughes, especialista e investigadora em Estudos Clássicos: "Qual o mito clássico mais significativo para a era moderna?
Entre outros, Jo Hedesan, da Universidade de Oxford, responde assim:

É o mito de Sísifo, rei de Efira, condenado a arrastar uma enorme pedra montanha acima, para a ver rolar sempre  para baixo e ter de repetir o trabalho toda a vida.
Creio que o Mito de Sísifo condensa a essência da vida no mundo moderno. Os homens foram colocados, como hamsters, a caminhar no interior duma roda sem fim, por gente fora de todo o controlo, porque tem de ser assim. A função da roda é dar objectivo a uma vida sem sentido. Também serve para consumir energia, tornando os cidadãos controláveis e satisfeitos com o que lhes é dado.

A visão é um nadinha radical, um pouco "à Bloco de Esquerda, ou "à Syriza", mas não muito longe da realidade. Em boa verdade, muitas vezes me senti igual aos hamsters que vejo na montra de um estabelecimento de animais "de estimação", perto do local onde almoço.
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