segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

PORQUE É PRECISO COMPLICAR

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Brian Millaris é presidente duma consultora de inovação que trabalha com empresas como a Nike, a Pepsi, a Samsung, o Balclays, etc. Ontem publicou um artigo na "Wired" online com o título que, traduzido, será "Porque Devemos Planear Algumas Coisas Difíceis de Usar". Nele apresenta cinco razões para o anunciado no título de que destaco duas.
A primeira é o que chama "prazer da mestria". Conta que teve um antigo "Land Rover" cuja caixa de velocidades era uma roleta russa. Quem não dominasse as características da dita, carregava no pedal da embraiagem, fazia a mudança e só tinha de esperar que, ao aliviar o pedal, não estivesse engatado em marcha atrás. Com a prática, adquiria-se o know-how para conduzir o bicho softly, coisa de todo gratificante, só ao alcance de escolhidos. Segundo Millaris, esta é uma das vantagens de coisas difíceis de usar. Em resumo, ser mestre no que seja amplia a inteligência e a intuição—torna tudo mais fluído, acrescenta.
Outra vantagem, de acordo com o excêntrico consultor, é a do que chama "património de exclusividade" e também conta uma história. Em tempos, Millaris trabalhou para uma empresa que produzia software para análise de riscos bancários. Mostrava a experiência que os programas funcionavam muito bem; mas ninguém os comprava. Tal e qual! Porquê?—perguntar-se-á. Porque uma multidão de burocratas que dominavam os métodos clássicos de enviar e receber montes de emails, cujo conteúdo era vertido em folhas de Excell e depois estudados durante horas ou dias, não abdicava do exclusivo na prática da análise do risco—eram peritos numa ciência cuja exclusividade era seu património. Nem era bem o problema do emprego—ou desemprego—que estava em causa. Era um problema de amor próprio que todos percebemos.
Em resumo, facilitar muito a vida nem sempre é boa ideia. Um nadinha de trapalhada e dificuldade e o facto de saber ultrapassar situações faz bem ao ego. Nada como fazer contas com papel e lápis, coisa que dentro de poucos anos ninguém vai saber fazer.
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