domingo, 7 de outubro de 2012

TU QUE PASSAS

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Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
Antes que me faças mal. Olha me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno
Eu sou a sombra amiga que tu encontras
Quando caminhas sob o sol de agosto
E os meus frutos são a frescura apetitosa
Que te sacia a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa, a tábua da tua mesa,
A cama em que descansas e o lenho do teu barco
Eu sou o cabo da tua enxada a porta da tua morada,
A madeira do teu berço e do teu próprio caixão
Eu sou o pão da bondade e a flor da beleza
Tu que passas, olha-me bem e não faças mal

Veiga Simões, Arganil, Maio de 1914
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