sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A GREVE DOS CAFAJESTES

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Os povos organizam-se socialmente de forma política variada. Num extremo está a ditadura, ou as ditaduras, e no outro a democracia. Alegadamente, na democracia a vida da sociedade é conduzida de acordo com a vontade da maioria, o que representa forma superior de vida ao evitar a imposição de normas que interessam apenas a minorias, em prejuízo de todos os outros.
Ditas as coisas assim, parece ouro sobre azul. Mas não é: a democracia, pela sua natureza tolerante, consente o desabrochar de movimentos minoritários e elitistas capazes de impor à maioria, incluindo às franjas mais desfavorecidas socialmente, situações de flagrante injustiça, comparáveis às observadas nas piores ditaduras. Por exemplo, quando os maquinistas dos aviões da TAP imobilizam as aeronaves de transporte colectivo em épocas que afectam de forma desumana grande número de cidadãos dependentes deles para passarem o Natal, ou a Páscoa, com as famílias, para referir apenas duas situações; ou quando o pessoal dos serviços de saúde se recusa a garantir actividades necessárias à normal assistência médica dos doentes. É indiscutível que a democracia tem de encarar a necessidade de impedir este tipo de comportamentos, suportados por princípios claramente não democráticos, usados pelos que se valem da generosidade da democracia para a destruírem e, ao mesmo tempo, cuidarem dos seus interesses egoistas.
Vem isto a propósito da greve dos maquinistas da CP, levada a cabo na antevéspera, na véspera e no dia de Natal. Tais janotas fazem greve porque exigem que os processos disciplinares, abertos pela CP aos maquinistas que se recusaram a cumprir os serviços mínimos obrigatórios aquando da última greve geral, sejam sumariamente arquivados. E fazem-no, indiferentes ao transtorno causado aos utilizadores dos comboios - que não são os mais favorecidos socialmente -, ao prejuízo económico que causam à empresa onde trabalham e ao País, e às  regras da democracia que lhes permite comportarem-se como verdadeiros malfeitores. Um nojo!
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