domingo, 18 de dezembro de 2011

PORQUE PUDEMOS ELIMINAR OS "NEANDERTHAIS"


No jornal “The Guardian”, o editor de Ciência faz hoje o resumo do que considera as dez mais importantes descobertas do ano 2011. Refere a observação da velocidade dos neutrinos, aparentemente superior à da luz, o que vai contra a teoria de Einstein; o achado dum planeta com características sobreponíveis às da Terra, e por isso habitável; a quase demonstração da existência do bosão de Higgs, o que fecharia a teoria física da constituição da matéria; e outras descobertas que podem ser encontradas neste endereço.
Destacamos a descoberta, na Grotta del Cavallo, na Itália, de dois dentes de criança de há 45.000 anos, e de um fragmento de osso de mandíbula de há 41.000 anos, na Kent Cavern, no Reino Unido (Figura em cima). Significa isto que o Homo sapiens, ao contrário do que se pensava, não chegou à Europa há cerca de 35.000 a 40.000 anos, mas há 45.000, pelo menos.  
É importante isto porque torna compreensível o desaparecimento do Homem de Neanderthal. Este nosso parente próximo surgiu na Europa e na Ásia há 130.000 anos e desapareceu há cerca de 30.000. Tinha o cérebro maior que o nosso, já usava ferramentas, construía túmulos e cruzou-se com o H. sapiens, facto documentado pelo achado de fragmentos do genoma em seres humanos actuais. Alegadamente, desapareceu porque nós o eliminámos.
A principal objecção a tal teoria era o facto do tempo em que ambas as espécies coexistiram ser demasiado curto para o H. sapiens poder suprimir completamente o concorrente. Com a observação agora realizada, de que chegámos à Europa cerca de 5.000 anos mais cedo do que se pensava, a teoria da eliminação do Homem de Neanderthal pelo Homo sapiens ganha novo fôlego. Como diz o autor do “The Guardian”, a humanidade teve um período confortável, de vários milénios, para limpar os “neanderthais”.
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