terça-feira, 22 de maio de 2012

CARTAS CELESTES

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Rosário Rebello de Andrade é pintora, com formação na Ar.Co., em Lisboa, e no Departamento de Cerâmica da Universidade de Massachussets. Foi bolseira da Gulbenkian e vive e trabalha entre Portugal e Alemanha. Tem, neste momento, uma exposição no Museu da Electricidade, em Lisboa: “Cartas Celestes: Cruzamentos, Largos, Bifurcações”.
A ideia é pintar quadros inspirados  em imagens de cidades do mundo, vistas provavelmente de satélites, à noite, dando-lhes o aspecto de espaço sideral. É a Terra vista do espaço e semelhante ao espaço.
No catálogo, é tudo embrulhado em retórica sem sentido, como o trecho que a seguir se transcreve: 

Estas imagens são um futuro possível das cidades. Um dia, um astrónomo do futuro numa civilização distante poderá ver projectada no espelho do seu telescópio a imagem velha das nossas cidades, já mortas, sem luz, e verá uma imagem invertida que se assemelhará a estas. Quando ele vir essa imagem, as cidades, essas, terão desaparecido há muito.

Passando por cima do estilo, direi que, se o astrónomo referido vir as cidades já mortas semelhantes às da exposição, elas não estarão sem luz, mas, ao contrário, serão apenas luz, como pode ver-se em baixo. O texto não é escrito pela pintora, mas provavelmente por um amigo de palavra vazia. E cabotino.
Terminada a má língua, passemos à substância. A ideia das obras é feliz, original e fascinante, sobretudo para um apaixonado pela Astronomia. Mas nem toda a boa ideia dá arte boa. O resultado estético prático neste caso é abaixo do mediano, muito inferior, seguramente, às imagens que inspiraram a pintora e às fotografias actuais e reais do espaço feitas pelos grandes telescópios da NASA e da Spacial European Agency.
Seguem mais duas fotografias dos quadros, feitas hoje.
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