domingo, 20 de maio de 2012

A CHAMA DO GÉNIO

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A população mundial é neste preciso momento, diz o site “Worldometers”, de 7.042.035.780 almas. Este número é uma fotografia instantânea da humanidade actual que está a mudar a cada segundo – pode confirmar-se isso no site. Se pensarmos no somatório dos últimos dois ou três mil anos, temos de o multiplicar por, não imagino quanto, mas será seguramente um factor elevado, o que representa uma multidão inimaginável. Dessa gente toda, quantos deram uma contribuição qualquer que tivesse mudado alguma coisa no nosso mundo? Acho que todos deram, sem excepção! Não há ser humano que não deixe cá a sua impressão digital. Contudo, são impressões que nem a melhor polícia científica encontra.
Mas há algumas que são de se lhes tirar o chapéu. Por exemplo as de Platão, Aristóteles, Miguel Ângelo, Galileu, Leonardo da Vinci, Einstein, Newton, Mozart, Stravinsky, Gandhi, Gorbachev, Hitler, Stalin, bin Laden e por aí fora. São muitos? Todos juntos, são uma gota no oceano humano: aquela coisa de que falava Churchill, dos tantos que devem tanto a tão poucos - devem, talvez não seja o termo correcto porque nos tão poucos estão tipos como Hitler, Stalin e bin Laden. Digamos que sofreram a influência de tão poucos que fica melhor.
Lembrei-me disto porque estava a pensar que o progresso não se faz suavemente e com alguma ordem. Na realidade as coisas passam-se aos solavancos, com acelerações súbitas e inesperadas, travagens bruscas, despistes. Em regra vivemos um nadinha estagnados a mastigar a última grande descoberta feita por um génio desses atrás mencionados.  
Investiga-se e vai-se andando um bocado para a frente com tal mastigação. Mas pouco, relativamente. Só quando calha,  surge uma ideia, muitas vezes simples mas original, na caixa pensadora dum génio. É a história do “Eureca!” de Arquimedes, história falsa transformada em símbolo do que acontece na ciência. E, mais curioso,  tais partos intelectuais acontecem muitas vezes à margem de qualquer investigação organizada, sistematizada, inspirada e tutelada. É a serendipidade, tradução rasca do inglês “serendipity”. Pasteur descobriu as bactérias por acaso, Fleming a penicilina por acaso, Einstein a relatividade quase por acaso, blá, blá, blá. Mas, como dizia Pasteur, o acaso só favorece a mente preparada. Aí está a diferença. Provavelmente, outro que visse que, nas culturas de bactérias que Fleming se tinha esquecido de tapar e estavam contaminadas por fungos, as bactérias não cresciam, tinha atirado tudo para o lixo e prometido ser mais cuidadoso no futuro para não ter tais esquecimentos.
Serve isto para dizer que os investigadores que todos os dias tomam o pequeno almoço e entram às 8 ou 9 nos laboratórios e conduzem pacientemente trabalhos morosos e complicados, são pessoas estimáveis e indispensáveis. São eles que fazem render ao máximo as grandes descobertas. Mas habitualmente não as fazem. Isso é trabalho mental de gente superior, muitas vezes exótica e pouco ortodoxa nos meios e métodos intelectuais. Mas temos de os aturar, respeitar e apaparicar; sem dúvida.
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