quarta-feira, 23 de maio de 2012

VALORES QUASE IMOBILIÁRIOS

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Das coisas mais desconcertantes da humanidade é a existência do sentimento que lhe diz o que é bom e o que é mau, eticamente certo ou errado, do agrado ou desagrado de Deus para os crentes, e que condiciona todo o comportamento. Nenhuma outra criatura, além do homem, está sujeita a tal influência nos seus actos. São os valores, diz-se; valores que levam a matar e até a morrer heroicamente, não para proteger o próximo, mas uma ideia, um estilo de vida, uma doutrina social, uma religião.
A convicção de alguns é que tal sentimento é sempre de origem religiosa, seja a religião revelada, ou resulte da sedimentação de tradições culturais. Até nos que se dizem ateus seria a raiz religiosa a determinante dos valores.
É provável que não seja assim e os valores constituam um fenómeno puramente biológico, extremamente importante quando não são respeitados, tal como o alimento ganha transcendente importância quando é negado, frequentemente com dimensão não proporcional ao mal que daí resulta. Em qualquer dos casos, pode haver condicionamento pela memória histórica de situações em que o desrespeito pelos valores levaram a situações de insuportável desconforto social e comprometimento da sobrevivência. A observância das normas decorrentes dos valores, seria assim um acto de adaptação ao meio, em que  sobrevivem os mais aptos, ou seja, os que respeitam normas sociais correctas.
Filosoficamente, é matéria complicada, susceptível de muita controvérsia, com campo de manobra para concepções conflituantes, religiosas, biológicas, sociológicas e por aí fora. Bom tema para tratar à hora da digestão, sem dúvida!
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