segunda-feira, 28 de maio de 2012

COMPREENSÃO INCOMPREENSÍVEL

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Einstein disse um dia, e suponho que já falei nisso em tempos, esta frase inspirada: a coisa mais incompreensível do universo é que o universo é compreensível. Contadas as coisas assim, cheira a boutade, mas não é tal.
O universo começou numa partícula onde residia toda a energia e massa que existem, libertadas de supetão, e ainda vive em enorme instabilidade, traduzida pela expansão permanente animada por essa explosão que ocorreu há cerca de 14 mil milhões de anos - o Big Bang. Mas os fenómenos da natureza decorrem segundo leis analisáveis e inesperadamente estáveis que nos permitem compreender o que se passa à nossa volta e até prever o que vai acontecer. No meio de tanta trapalhada que foi o Big Bang e as suas consequências, seria de esperar enorme variabilidade das leis da Física e a impossibilidade de as compreender, sistematizar e usar. Mas não: a Segunda Lei da Termodinâmica continua válida desde que foi achada há quase dois séculos e a Lei da Gravitação Universal há quase quatro séculos, para citar apenas dois exemplos.
Na realidade, no meio do aparente caos cósmico, há uma linha nos fenómenos ditos naturais que fazem pensar em condução inteligente, sem dúvida a fonte de todas as guerras filosóficas e religiosas; mas não científicas. É que, enquanto a filosofia e a religião contemporizam com convicções (mais palpites que opiniões), a ciência pára onde termina a capacidade de provar experimentalmente, o mesmo que dizer de conhecer empiricamente.
Eugene Wigner, Nobel da Física em 63, dizia que as ciências físicas e matemáticas são uma maravilhosa dádiva que recebemos, embora considerasse tal dádiva incompreensível e imerecida. Incompreensível talvez por nos deixar a meio do caminho do conhecimento do universo; e imerecida porque não estaremos a fazer o melhor uso dela. Quem sabe?
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