sexta-feira, 26 de setembro de 2014

NÃO AO ESCÁRNIO E MALDIZER

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O Primeiro-Ministro disse hoje no Parlamento:

"Durante todo esse período, em que desenvolvi actividades que não considero nem considerei incompatíveis com função de deputado de exclusividade ou dignas de conflito de interesses, posso ter apresentado despesas, de almoços, deslocações, quer a Bruxelas, quer a Cabo Verde, quer dentro do território nacional".

Por outro lado, João Miguel Tavares informou-nos ontem sobre a Tecnoforma:

"Convém recordar aos mais esquecidos que a Tecnoforma era essa extraordinária empresa, impulsionada pelo romântico par Passos-Miguel Relvas, que se propunha, em troca de 1,2 milhões de euros, dar formação a 1063 pobres almas com um objectivo que parece saído do argumento de uma série cómica britânica: ensinar os mais de mil formandos a operar em nove aeródromos da Região Centro, dos quais só três estavam activos e empregavam, no total, cerca de dez trabalhadores."

Se a informação que circula nos media, de que Passos Coelho recebeu da Tecnoforma a importância de 150 mil euros—ou 30 mil contos—está certa, convenhamos que são muitos almoços e muitas deslocações para tão modesto fim.
Olhando para o Primeiro-Ministro, ninguém diria que come tanto. Mas só sabendo quantas viagens fazia se pode avaliar as calorias gastas. Eventualmente, iria às vezes a pé ou a nado e isso exige muito alimento. Se tivesse usado um pedómetro, ficava tudo melhor explicado—preto no branco. E calava de vez o escárnio e maldizer.

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