sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O TEMPO NÃO VOLTA PARA TRÁS

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O poder da humanidade é imenso. Sempre foi, mas agora é maior e com tendência para crescer. O homem modificou um quarto de toda a actividade fotossintética do mundo e metade dos recursos hídricos; alterou as correntes oceânicas e atmosféricas; movimentou tanto material rochoso como o processo de erosão natural; a biomassa humana e dos seus animais domésticos rouba terra aos outros mamíferos; atulha os oceanos com plástico; e mata seres vivos a um ritmo só visto há 65 milhões de anos, quando um asteróide embateu na Terra, do que resultou, entre outras coisas, a extinção dos dinossauros.
É tudo preocupante, embora, em boa verdade, os homens modifiquem o ecossistema há milénios. Mas há diferenças no tipo e na quantidade. E, para complicar, pelos meados deste Século a população atingirá número próximo da dezena de milhares de milhões de almas a exigir e a merecer qualidade de vida até agora reservada apenas a uma minoria.
Contudo, há hoje uma corrente, dita dos modernos verdes, que não considera a matéria tão alarmante. Para eles, os actuais ambientalistas são excessivamente pessimistas e fixados em histórias de perda: ursos polares a morrer em icebergs a fundir, ecossistemas eternamente alterados e rebabá. A natureza é resiliente, dizem, as florestas voltam a crescer, os ursos adaptam-se a viver com temperaturas mais elevadas e por aí fora. Terá sido sempre assim.
Acusam os actuais ambientalistas de não serem realistas por não darem conta da impraticabilidade das suas teorias e de insensibilidade face aos interesses da humanidade. Acham-nos tecnófobos e avessos à prosperidade, com a preocupação de atenuar o que chamam de pegada ecológica. Os conservacionistas estarão irremediavelmente fixados numa visão do Século XIX, de ambiente selvagem virgem, não maculado pelo homem. Consumidos por nostalgia, não captaram a influência ecológica histórica da humanidade. E não podem prometer o regresso do ambiente pré-humano original. As "origens"—lugares sem marca de intervenção humana—nunca terão existido. Pelo menos, nos últimos milénios; eventualmente mais, acrescentam.
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Esta é a súmula, muito comprimida, de excelente artigo de Brandon Kleim, jornalista especializado em ciência, natureza e tecnologia, publicado no "AEON Magazine". Pode ser lido aqui.
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