segunda-feira, 22 de setembro de 2014

VIESES COGNITIVOS E MEDOS

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Pormenor da "Neve dos Loucos", em exibição no Louvre

Spinoza dizia que o cão é o animal que ladra e o homem a besta que pensa. Parece agora a muitos estudiosos da mente do H. sapiens que Spinoza era um nadinha optimista. Temos, segundo parece, circuitos mentais com enorme tendência para a asneira. Hugo Mercier e Dan Sperber, autores do livro "Why Do Humans Reason?", acham que as nossas faculdades mentais evoluíram não para chegar à verdade mas para ganhar discussões, disputas e coisa do tipo Benfica vs Sporting. O nosso cérebro será uma mistura de vieses cognitivos e medos—a que alguns chamam o pecado original cientificizado.
Estudos recentes apontam preocupantemente nesse sentido. Podia dar muitos exemplos, mas vou apenas usar um, adaptado do artigo de onde tirei estas ideias—que digo no fim qual foi. Imagine este perfil de mulher:

Maria é solteira, tem 31 anos, personalidade forte e é brilhante. É licenciada em Filosofia. Como estudante, preocupou-se com problemas de discriminação e justiça social e participou em manifestações contra a energia nuclear.
A pergunta é—qual das seguintes afirmações tem mais probabilidade de ser verdadeira:

1. Maria é funcionária bancária.
2. Maria é funcionária bancária e activista de um movimento feminista.

Embora pareça estranho, quase todos dizemos que é a 2.—uma bacoquice. Matematicamente, está na cara que a 1. é muito menos exigente e tem muito mais probabilidade de ser verdadeira; enquanto a 2.—mais exigente—corre sério risco de falhar. É o viés mental, criado pela experiência de muitas Marias intelectuais e activistas—feministas, pró-aborto, pró-casamento gay e rebabá—que nos faz meter a pata na poça.
A nossa vida intelectual é toda isto, seja relativamente à Maria funcionária bancária, ao aquecimento global antropogénico, ao socialismo, ao liberalismo, ao Tozé, ao Costa do Castelo, à Maria de Lurdes Rodrigues, ao Ricardo Salgado, ou ao Miguel Sousa Tavares que não se contém a defendê-lo.

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