domingo, 1 de fevereiro de 2015

NÃO À CAÇA ÀS BRUXAS !

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A Dr.ª Cândida Almeida deu uma entrevista, leio nos jornais. Declarou-se surpreendida com a prisão do Zezito, "por ser um ex-Primeiro-Ministro" (!) e "porque nas investigações que antes liderou não foram detectados indícios dos crimes que agora lhe são imputados".
Não me surpreende. Embora sem dados para o afirmar, suspeito que a Dr.ª Cândida Almeida, na carreira no Ministério Público, nunca deve ter detectado indícios de nenhum crime—algum pilha-galinhas preso sob a sua mira deve ter sido alguém que se entregou à Justiça voluntariamente para comer uma refeição quente na cadeia.
Corria o ano de 2013, quando A Dr.ª Joana Marques Vidal, Procuradora-Geral da República há pouco tempo, numa das suas primeiras decisões, para assentar ideias, correu com Cândida Almeida do DCIAP, acabando com uma carreira brilhante de 12 anos caracterizada pelo arquivamento de processos de corrupção, como a concessão do Freeport e a licenciatura do Zezito. A maçon Cândida, segundo consta em listas que se podem ver na Net, ficou ofendida porque, conforme diz, "devia ter sido ela a fechar alguns processos que estavam em curso"; e diz muito bem: a então directora do DCIAP era um autêntico cadeado, um aloquete, um engenho de fechar processos.
Na Universidade de Verão do PSD, Cândida Almeida declarou urbi et orbi que os políticos portugueses não são corruptos, que Portugal não é um País corrupto e que o combate à corrupção não pode ser uma caça às bruxas. E Cândida não caça bruxas, não caça corruptos, não caça gambozinos, não caça nada. É um ícone da inércia jurídica e da  inutilidade judicial. Tal e qual.
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