sexta-feira, 10 de abril de 2015

AFINAL, O NADA EXISTE

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O Instituto Nacional de Defesa promoveu um debate sobre a separação dos poderes legislativo, executivo e judicial no Portugal do Século XXI. Participaram grandes crânios da Lusitana Nação, entre os quais o incontornável e inevitável Nóvoa que perorou assim: "Em tempo de crise, é preciso pensar e agir fora de caixinhas formais". E mais disse: "A alteração do papel destinado ao Presidente da República justifica-se ainda face à existência de uma crise de representação, que exige uma reflexão sem nos fecharmos numa caixa de pensamento clássico".
Fica-se banzado com as afirmações. Se há alguém dado a caixinhas, formais, informais e outras que tais, é ele mesmo. Quem conhece coisa mais caprichada que as caixinhas retóricas de Nóvoa? Caixinhas que esqueceu de encher de esferovite para não se perceber que estão vazias.
Um dos problemas filosóficos insolúveis é o da natureza do nada. Suspeita-se mesmo que não existe. Afinal a suspeita é infundada: para a desmentir, aí está Nóvoa, a incarnação do dito. Parmenides dizia ser impossível falar do nada porque isso viola o próprio princípio do que é. Mas Parmenides estava equivocado: Nóvoa é o nada e não há dia em que não se fale dele.
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