quarta-feira, 8 de abril de 2015

A CHINA E 'AQUILO DE QUE GOSTO MUITO'

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A Grécia tem de pagar amanhã 458 milhões de euros ao FMI. Tem dinheiro para tal. Mas, 5 dias depois, a 14, precisa de 1,7 mil milhões para pagar a funcionários públicos e pensionistas. Aí a porca começa a torcer o rabo. Em 17, ainda de Abril, o Banco Central Europeu tem de receber 194 milhões de juros. Depois, rebabá (ver o gráfico)—um sufoco!
Tsipras começa a ter dificuldade em adormecer e fazer a digestão. Foi a Moscovo e falou com Putin. O Czar vermelho gostou muito de o ver porque a renovação das sanções económicas da UE à Rússia vão precisar brevemente do apoio da Grécia; mas lamenta não poder fazer muito porque está falido com as ditas sanções mais o petróleo a 60 dólares—Putin é o Nicolás Maduro do Leste.
Que sim, vamos discutir a cooperação em vários sectores da economia, incluindo a possibilidade de desenvolver grandes projectos no sector energético, talvez o gasogénio, blá, blá, blá; mas de dinheiro nem falaram, dizem.
Aliás, Tsipras faz questão de esclarecer que a Grécia não é uma nação de pedintes. Na Europa, os gregos não pedem: fazem como o Zezito—quando têm "falta de liquidez", exigem aos amigos um bocadinho daquilo de que gostam muito e tudo se compõe. Ou antes, não compõe porque a Merkel não sabe que Tsipras é o representante da terra onde nasceram a democracia e Sócrates (não é esse!) e onde um pato bravo fez o Parthenon há muitos anos, ainda ela não era nascida—uma inculta que não lê as crónicas do Dr. Soares!
Mas tenho fé de que tudo vai acabar em bem. Tsipras consegue sair de Moscovo antes de Putin lhe pedir um empréstimo e o helénico Primeiro-Ministro vai ser bem sucedido se recorrer ao chineses que seguramente lhe dão o dinheiro que precisa a troco de facilidades para instalar uma megaloja de quinquilharia na praça Syntagma. Vão ver que sim.
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