terça-feira, 14 de abril de 2015

ASSIM FOI ZEZITO PELO CANO ABAIXO

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No dia 6 de Abril de 2011, há 4 anos e 8 dias, Zezito, depois de ene borradas—eventualmente roubalheiras—dá o tiro de partida para a desgraça Pátria (o inefável Nóvoa diria Mátria). Depois de perguntar ao Luís de que lado fica mais fotogénico, Zezito anuncia que vem aí o lobo, perdão, a troika mais a austeridade. Hoje pena em Évora, o que nos deixa inconsoláveis.
O trecho em baixo é o excerto de um texto muito bem feito, publicado no jornal "Público" em tempos. Aconselho vivamente a leitura integral—que pode fazer aqui—para um dia contar aos netinhos. É História de Portugal, só comparável à descoberta do caminho marítimo para a Índia.

[...] Sócrates, a vítima da banca

Nos corredores de São Bento, viviam-se horas de fim de festa. O primeiro-ministro estava condenado a enfrentar a assistência externa. Conta quem ouviu: “Sentia-se encurralado, vítima da acção dos banqueiros, do BdP e de Teixeira dos Santos.” A tese da conspiração foi, aliás, replicada, a 2/12/2011, pelo deputado do PS João Galamba, na AR, o que motivou troca de galhardetes com Carlos Costa. “A noção que tive foi que o ministro das Finanças só actuou quando os bancos o informaram de que já não estavam disponíveis para emprestar, e foi isso que desencadeou o processo”, diz Mira Amaral. Faria de Oliveira garante: “Os banqueiros não tiveram qualquer perspectiva de deixar o país colapsar.” “O que determinou o bailout foi o chumbo do PEC IV, não o poder da banca, essa estava asfixiada”, refere fonte bancária.

“Como fico melhor a olhar...” 20h00. Sócrates deixara de ter condições de resistir ao duelo. Está prestes a dirigir-se aos portugueses quando a TVI inicia, inadvertidamente, a transmissão directa de São Bento. Antes de avançar para aquela que poderá ser a sua última grande intervenção, na qualidade de chefe de Governo, o primeiro-ministro dava uma vista de olhos ao local onde, minutos depois, pronunciaria o discurso histórico de cinco minutos. Aparece em mangas de camisa a apontar para os dois écrans transparentes, colocados à esquerda e à direita, que servem de ponto: “Como é que fico melhor a olhar...” A emissão é interrompida segundos depois, mas dá ideia do ambiente de desorientação. 

E Portugal ajoelhou-se... 

20h38. Era o gesto que muitos esperavam. Portugal declarava-se KO. Sócrates está frente a frente com os eleitores. Fala pausadamente: “Estou firmemente convencido, avaliadas todas as alternativas e depois de todos os contactos que fiz, que [a situação financeira] tenderá a agravar-se se nada for feito.” Está para chegar o recado: “Ao longo do último ano, lutei para que isto não acontecesse. A verdade é que tinha uma solução e ela foi deitada fora.” ** [...]
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** A solução seria uma solução de ácido sulfúrico deitada pela cabeça abaixo, digo eu.
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