quinta-feira, 9 de abril de 2015

OLH'Ó 32

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Como político, Tozé Seguro era tão destro como uma lesma. Não que não  produzisse fluxo encefálico, mas este era imperceptível. Provavelmente, Tozé tem caixa craniana mais hermética que cofre de Fort Knox donde não extravasa o génio. Na ausência de discurso inspirado, procurava mobilizar os eleitores em registo de pregoeiro, com falsete à mistura—patético, para dizer o mínimo.
Em Costa, depositava-se esperança. Por trás de subreptícios silêncios e sorrisos indecifrados na "Quadratura do Círculo", adivinha-se a ideia, o plano, a estratégia. Como o louco do manicómio que cantou de galo para o ministro de visita, Costa falou e cantou a tempo. Costa é igual a Tozé elevado a menos 10. A fórmula é:  Costa = Tozé^-10. 
A imagem começou a embaciar, a esperança a esmorecer, o entusiasmo a murchar e Costa, tal como Tozé, elevou o registo do discurso e a desafinação. É pungente o esforço do "candidato a Primeiro-Ministro" para arrastar massas. Com voz tonitruante de baixo, colocada em Ré bemol 3, oriunda da profundidade da caixa torácica, Costa arrasa instalações sonoras, funde televisões, cala pregões de varina.
Não sei se Costa ganha as eleições; mas vai ser de certeza um sucesso a vender cautelas.
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