Como político, Tozé Seguro era tão destro como uma lesma. Não que
não produzisse fluxo encefálico, mas este
era imperceptível. Provavelmente, Tozé tem caixa craniana mais hermética que cofre de
Fort Knox donde não extravasa o génio. Na ausência de discurso inspirado,
procurava mobilizar os eleitores em registo de pregoeiro, com falsete à mistura—patético,
para dizer o mínimo.
Em Costa, depositava-se esperança. Por trás de subreptícios silêncios
e sorrisos indecifrados na "Quadratura do Círculo", adivinha-se a
ideia, o plano, a estratégia. Como o louco do manicómio que cantou de galo para o ministro de
visita, Costa falou e cantou a tempo. Costa é igual a Tozé elevado a menos 10.
A fórmula é: Costa = Tozé^-10.
A imagem
começou a embaciar, a esperança a esmorecer, o entusiasmo a murchar e Costa, tal como Tozé, elevou o
registo do discurso e a desafinação. É pungente o esforço do "candidato a
Primeiro-Ministro" para arrastar massas. Com voz
tonitruante de baixo, colocada em Ré bemol 3, oriunda da profundidade da
caixa torácica, Costa arrasa instalações sonoras, funde televisões, cala
pregões de varina.
Não sei se Costa ganha as eleições; mas vai ser de certeza um sucesso
a vender cautelas.
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