sábado, 11 de abril de 2015

PAPEL COSTANEIRA

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Há dois dias, escrevi aqui sobre António Costa o seguinte:

"A imagem começou a embaciar, a esperança a esmorecer, o entusiasmo a murchar e Costa, tal como Tozé, elevou o registo do discurso e a desafinação. É pungente o esforço do "candidato a Primeiro-Ministro" para arrastar massas. Com voz tonitruante de baixo, colocada em Ré bemol 3, oriunda da profundidade da caixa torácica, Costa arrasa instalações sonoras, funde televisões, cala pregões de varina.
Não sei se Costa ganha as eleições; mas vai ser de certeza um sucesso a vender cautelas."

Hoje leio, com satisfação, que não estou só: há quem ache o mesmo. Vasco Pulido Valente, inteligente e contundente, diz no "Público":

Na televisão, António Costa gesticula e grita em frente de quatro ou cinco microfones. Parece que está muito indignado e que diz coisas muito importantes para o país e, se calhar, para a Europa. Mas não se ouve. Ninguém lhe disse ainda que não se fala numa sala fechada para duas centenas de indivíduos como quem fala num comício de província para milhares de pessoas numa noite de Inverno.
Costa é conduzido exclusivamente pelas suas emoções: berra quando se irrita ou julga que vai impressionar o “povo”; explica numa voz normal o que não o comove. O resultado é que o cidadão comum não o leva a sério. O ar de improvisação e de amadorismo anula a importância e a pertinência de qualquer declaração. No fim, fica sensação de que o homem se esganiça e se agita por puro desespero. [...]

Em resumo, Costa representa, no sentido cénico: faz um papel. Papel a que no caso vertente podemos chamar com propriedade papel costaneira.
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