João Taborda da Gama escreve hoje no "Diário de Notícias" um artigo intitulado "Sampaio da Nóvoa Presidente", cujo teor pode ser resumido nos três extractos transcritos abaixo.
Não tiro conclusões apressadas porque não conheço os
detalhes do fenómeno, mas registo a informação e a situação. E também
acrescento que, na altura, se terá dito não haver ninguém no júri—referido no
fim do post—com conhecimentos ou competência para avaliar a tese em causa,
sobre os limites do planeamento fiscal.
Um grande homem, um homem livre, um homem bom. Professor
brilhante, homem de liberdade, a sabedoria em pessoa. Quero falar-vos do homem
mais culto, homem mais inspirador, o homem sempre ouvido e por todos respeitado
pela sua independência e pela integridade de carácter. Um homem que pensou
Portugal e desprezou mordomias. Quero falar-vos de um homem a quem a
Universidade de Lisboa tanto deve, um académico que inspirou colegas, estimulou
alunos, deixou discípulos. Um académico que fez escola e escreveu ciência. Um
intelectual público, um cidadão inteiro. Falo-vos do professor Saldanha Sanches.[...]
[...] Saldanha Sanches nunca abandonou o país, nunca se
alheou do bem dos outros, e por ele correu riscos. Quando muitos viviam
despreocupados, ensimesmados à sombra de outros que iam tratando da nossa
democracia, Saldanha Sanches foi o primeiro a falar sobre corrupção. Mas não
numa pregação onanística da transparência, pastiche redondo de lugares-comuns
de uma pretensa ética - apontou nomes, setores, denunciou casos nas autarquias,
na universidade, na construção, no futebol, nomeou ministros. Também por essa
liberdade pagou: foi perseguido, difamado, processado. A liberdade em concreto
dói, por isso tantos preferem cantá-la a fazê-la. [...]
[...] Em finais de junho de 2007, Saldanha Sanches
apresentou-se a provas de agregação na Universidade de Lisboa. A composição do
júri não deixava dúvidas sobre o que se ia julgar, não era o seu currículo
académico nem as suas obras, ambos irrepreensíveis - era a sua liberdade.
Talvez devesse ter ficado em casa, ir passar uma semana à Suíça, tão agradável
no início do verão. Mas Saldanha Sanches não fugia. Chumbaram-no. De forma vil.
Nos júris académicos, como nos países, há um presidente, alguém cimeiro que normalmente
não deve intervir, só apenas em casos-limite, para impedir a injustiça. Alguém
que tem de ter coragem para repor a ordem justa das coisas, sempre que esta
falte. Uma espinha dorsal e moral sobressalente, de reserva. O júri que
reprovou José Luís Saldanha Sanches tinha António Sampaio da Nóvoa como
presidente.
Nota:
Segundo notícia da revista "Visão", o grupo de professores do júri que chumbou Saldanha Sanches incluía Marcelo Rebelo de Sousa, Diogo
Leite de Campos, Jorge Braga de Macedo, Menezes Cordeiro, Fausto de Quadros e
Paz Ferreira. Três professores votaram a favor de Saldanha Sanches: Jorge
Miranda, Teixeira de Sousa e Paulo Otero.
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