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Nos meados do Século XIX, Charles Darwin escreveu num livro de notas pessoais qualquer coisa como isto: O homem é um mamífero cuja forma presente acabará um dia, por muito que isso nos decepcione. Tem muitos instintos em comum com os animais, embora, ao contrário deles, possa raciocinar. Mas tem poderes racionais em excesso.
Postas as coisas desta forma, fica-se sem saber o que,
exactamente, Darwin queria dizer com tal nota, pouco clara. Conhecendo-o, admite-se que falasse de evolução
natural—a que o homem está também sujeito—e referia-se, provavelmente, à
selecção de seres humanos mais aptos e ao desaparecimento de outros menos
aptos; embora seja difícil imaginar como serão esses novos homens, mais aptos.
Olhando em volta e avaliando a sociedade, dá vontade de
perguntar quem serão os avós desses novos seres seleccionados pela natureza.
Darwin deixa uma pista quando escreve que o Homo sapiens actual tem poderes
racionais em excesso. Está na cara que o que aí vem, segundo ele, serão os descendentes
dos calhaus com olhos actuais. Valha-nos Deus—para pior, já bastava assim.
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