domingo, 22 de julho de 2012

AN ATONISHINGLY INTELLIGENT MAN

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O simpático gentleman da fotografia é o homem de que tanto se fala hoje, precisamente John Maynard Keynes. Isso mesmo: o próprio! De acordo com o filósofo político John Gray, an atonishingly intelligent man — tão inteligente que até a sua cabeça projectava  duas sombras na parede, como se vê no clichê!
Keynes ficou famosíssimo pela teoria económica que ajudou o mundo a sair da Grande Depressão nos anos 30 do Século pretérito, como diria Baptista Bastos no seu burilado estilo barroco do "Diário de Notícias" (às quartas-feiras, aproveito para informar).
Dizia o Senhor (o Keynes, não o Baptista Bastos): "Para sair da crise, manter a despesa elevada é vital; e a despesa do governo é, provavelmente, a melhor maneira de o conseguir". 
Em resumo, o que faz falta é animar a malta, os governos empenharem-se até aos colarinhos, imprimirem dinheiro, como recomenda o super-especialista em Economia, Mário Soares, e investir em obras públicas, como queria o incompreendido estadista Zezito — se têm construído a terceira travessia do Tejo, a linha de grande vitesse Poceirão-Caia e o Aeroporto de Alcochete, há muito que estaríamos prósperos.
Keynes achava que não havia nada como gastar, gastar, gastar. Um belo dia proclamou: "Quando a pessoa poupa 5 xelins, põe um trabalhador no desemprego durante um dia". Penso eu agora que, se fossem 10 xelins, seria o desemprego de dois dias, ou de um só dia mas de dois trabalhadores, embora não tenha a certeza.
Keynes era imparável. Outra vez, disse para as donas de casa: "Amanhã vão para a rua e façam compras — fazer compras é bom para a espírito, é bom para a economia". Tal e qual. Está deprimida? Vá comprar. Está preocupada com a situação económica? Vá comprar. Está triste com a derrota do Benfica? Vá comprar. Blá, blá, blá? Vá comprar. O mesmo para o seu marido/namorado/companheiro, digo eu.
Mas o Senhor Keynes não era parvo! Aliás, já disse que era um atonishingly intelligent man e estou a repetir-me sem necessidade. Digo isto porque ele avisou: "Para estas coisas funcionarem, é preciso criar confiança"! (o ponto de exclamação é meu e não de Keynes). "E a confiança depende da economia, mas também da política. E se os políticos blá, blá, blá, então, vai tudo por água abaixo" (tradução livre de then any remaining confidence may evaporate and we could suffer from prolonged recession). Isso mesmo.
O problema no Luso Torrão é que any remaining confidence evaporated há muito tempo. Ecco!
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